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AILEBA
Sra. Kristy, o problema nada tem a ver com a oposição ao Tétum como uma das línguas maternas, nem sequer o desejo de atacar as línguas maternas ou nacionais. Mas a questão que se coloca é porque é que não se concentrem mais as nossas energias e os esforços na consolidação das duas línguas oficiais? Falamos e fazemos perguntas de boa-fé sem precisar de fazer especulação e acusação sobre os aparentes interesses políticos e estratégicos dos anglófonos.
A escolha das duas línguas no passado pelos representantes do povo timorense foi motivada sobretudo pelas razões da afirmação de identidade nacional e da unidade politica. A introdução do ensino língua materna só vem enfraquecer os esforços já conseguidos na consolidação das duas línguas oficiais e consequentemente atentar-se desnecessariamente contra a unidade e a identidade nacional de Timor Leste como uma nação soberana. A meu ver, a política da língua não é tão complicada se seguirmos aquilo que já foi estabelecido e estipulado na Constituição da Republica Timorense Lusofonia.
Não sou contra o ensino das línguas nacionais no sistema da educação nacional para além das duas línguas oficiais. Porém, ao elevar, O ESTATUTO DELAS, as línguas nacionais no lugar das línguas oficiais. (A LÍNGUA DE INSTRUÇÃO OFICIAL) é que não estou de acordo, simplesmente porque esta chamada politica educacional vai de certeza trazer a alienação de certos cidadãos oriundos de outro distrito que se encontram a estudar noutra região além da sua, que não falam a sua língua materna, e por isso potencialmente e consequentemente criar a desunião entre os cidadãos e ameaçar o futuro da soberania do Estado Timorense
Outra questão é poder provocar o divisionismo político e étnico no seio da sociedade muito cedo. Ou seja, as crianças começam a distingir-se umas das outras no sentido de divergências étnicas a partir duma fase muito precoce. Aquilo que é errado do ponto de vista educacional em geral e exclusivamente da educação de cidadania nacional, ou seja é mau para a educação sobre patriotismo e nacionalismo da nação timorense.
De acordo com a minha experiência como um jovem timorense que estudou no sistema educacional da Indonésia durante o período da ocupação foi a seguinte; a minha língua materna era, e é o Tétum Naquela altura a língua da instrução da minha escola da infância e primária até ao secundario era a língua da Indonésia (o Bahasa Indonesia). No processo de aprendizagem, eu e os meus colegas até chegamos a aprender a língua regional (considerada naquela altura) de Timor Leste - o Tétum.
Até os indonésios que viviam em Timor Leste foram aprender Tétum no 9º ano. Porque segundo a política educacional do governo indonésio daquela altura era obrigatório para cada cidadão aprender a língua regional (bahasa daerah) principal da região onde eles residiam. No secundário como no pré secundário foi também ensinado o Inglês. Quando terminei o meu secundário após a independência de Timor Leste, eu e muitos jovens timorenses saídos do sistema educacional indonésio começámos a aprender o Português e hoje podemos expressar-nos em português.
A conclusão da minha história é a seguinte o problema não é a necessidade de divergir a língua de instrução mas ao contrário disso a importância do esforço de consolidar a língua oficial Tétum como o principal língua da instrução nos anos iniciais da escola primária.
Tendo em conta segundo o vosso estudo das dificuldades das crianças timorenses em aprender Português (mesmo duvidando da conclusão do estudo) nesse caso o Tétum é apenas Tétum, a principal língua da instrução das EPs até a introdução do português nas fases seguintes, digamos que no 5º ano como desejado a par do ensino de várias línguas estrangeiras.
É simplesmente por razões de unidade nacional e consolidação da nação timorense e de evitar a desunião, somente o Tétum e o Português devem ser as duas línguas de instrução. Porém deve ser promovido a obrigatoriedade do ensino das línguas nacionais como as disciplinas complementares em cada região de Timor Leste.
Daí podem evitar-se as desvantagens desnecessárias e contudo continuando com o cumprimento do mandato da Constituição da Republica sobre a promoção e o desenvolvimento das línguas nacionais (leiam-se línguas maternas) dentro do Sistema da Educação Nacional, sem elevar o seu estatuto para ser a língua de instrução em substituição do Tétum e do Português.
Obrigado
Aileba
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5 comentários:
artigo do CJITL, muito interessante.
http://www.cjitl.org/cjitl-timor-ohin-loron/cjitl-opiniaun/344
A propaganda línguas maternas vs português continua e vai continuar (e se nada se fizer para a travar). Este artigo é deveras interessante, porque, entre várias coisas:
- coloca o inglês ao mesmo nível do português como requisito para acesso a oportunidades de trabalho (?!).
- recupera as declarações de Taur Matan Ruak, de 2010, que tanto agradaram a Kirsty Gusmão e outros
- a Fundação Mahein tem uns malae muito estranhos (para não dizer outra coisa...) a trabalhar lá, escrevendo coisas, no mínimo, estranhas, sobre temas de segurança. E privilegiam as publicações em tetum e ingles, deixando o português de parte.
Caros administradores do blogue: isto vai ser muito renhido... As tampas estão a saltar aos anglo-saxónicos que muito bem se sabe do lóbi que fazem junto aos timorenses, nos bastidores, para abandonar o português. (a proximidade com lusófonos tem a tendência de ajudar a desvelar as políticas neo-colonialistas da Austrália e EUA, por isso o português é tão indesejado; é tudo geopolítica, NADA tem a ver com a língua).
Muitos parabéns aos Timorenses que lutam diariamente para a afirmação da sua identidade e consolidação da soberania nacionais.
Os timorenses são o orgulho desta grande família lusófona! Contamos convosco.
Força Timor-Leste!!!
Se precisarem de ajuda dos irmãos lusófonos é só pedir e como se diz numa língua em Angola:
MAMA SUMAE! AQUI ESTAMOS PRONTO PARA O SACRIFÍCIO!
16.They also look with suspicion on the role of the President's Australian born wife, Kirsty Sword, who has emerged as the power behind the throne. They suspect her of being an Australian intelligence officer. Ostensibly because of Gusmao's poor health, she reportedly attends all sensitive meetings convened by her husband. She met the Vice-Chief of the Australian Defence Force, Lieutenant General Ken Gillespie, after the Australian troops moved into East Timor and briefed him on the situation. She has allegedly been playing an active role in the campaign to undermine the Prime Minister and persuaded her husband after the Australian troops moved in to divest the Prime Minister of all powers relating to the Army.
17.She has emerged as the Hope Cook of East Timor. Hope Cook was an officer of the USA's Central Intelligence Agency (CIA), who visited Sikkim as a tourist, befriended the Chogyal (the ruler), got married to him and then started steering him in a direction favourable to US interests and detrimental to Indian national interests. Worried over the designs of the CIA in Sikkim and the role played by Hope Cook, Mrs.Indira Gandhi, the then Prime Minister, had a public agitation organised against the Chogyal and his American wife in 1975 and had them removed in order to safeguard Indian national interests.
Timor leste tem que deixar de ser um laborátorio onde qualquer ONG, ou associaçao impõe as suas politicas em prol dos seus proprios interesses. O estado timorense tem que ser mais forte e não deixar que estes lobis de sobreponham ao interesse colectivo. Este projecto de lei para além de ser ilegal e inconstitucional quer fazer querer que o insucesso escolar das crianças timorenses tem como handicap a lingua portuguesa. Não está certo nem correcto pois o cerne da questão não está na lingua mas na forma e metodos de ensino dessa propria lingua. Se hoje as crianças timorenses ainda não estão familarizadas com a lingua portuguesa é sinal que o muito que foi feito não foi suficiente e como tal seria aconselhavel rever e promover ainda mais, metodos e formas de interagir com a populaçao começando por exemplo pela televisaõ Nacional.(TVTL e Radio, imprensa etc). Não é mudar radicalmente este sistema que vamos melhorar o ensino e sucesso dos nosso educandos. Todos sabemos quão elevadas são as familias timorenses(agregado familiar) e a forma como inter agem no apoio aos seus, aqueles que outrora foram ajudados mais tarde tem essa obrigaçao em contribuir para esta mesma coesão e solariedade. Ao implementar este novo projecto lei significa por exemplo que um familiar que esteja a viver em Liquiça originário de Uato-lari que queira adoptar um dos seus filhos akkiik de Uato-lari, vai ter problemas de adaptação com esse seu filho pois este não sabe falar Tokodedi. Mas afinal esta não é a sua pátria?
Agora já tenho um apelido. Sou Aileba Ficof (Um filho dos combatentes das FALINTIL). Em homenagem ao meu irmão que morreu no processo da luta pela libertação da pátria, decidi-me criar um apelido.
Espero que os leitores não se aborreçam com as minhas estórias. Isto tudo no fundo tem mais a ver com a capacidade de observar os fenómenos sociais ocorridos no presente dentro do nosso sistema politico ou seja para ser mais clara no poder politico. É preciso que haja quem narrar as opiniões dos povinhos Maubere, principalmente contar as suas tristezas e esperanças que se que venham surgindo no seio da nossa sociedade.
Para quem não tem acessos ao sistema para o corrigir os erros, convém usar o teclado para influenciar as suas melhorias e tirar as peles das vacas e as peles do avo crocodilo das caras dos corruptos vergonhosos que andam a dar cabo ao próprio sistema. Por isso vale a pena gritamos, A LUTA CONTINUA!
AILEBA FICOF.
VIVA AS FALINTIL!
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