Terça-feira, 12 de Julho de 2011

Plano ou lista de pedidos ao Pai Natal?

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É a economia, estúpido!... -  Blog sobre Economia e Política Económica do Desenvolvimento, em particular sobre a economia de Timor Leste e aquilo que naquelas pode ser útil ao desenvolvimento económico deste país

Vai começar amanhã, aqui em Dili, a reunião com os doadores em que o "prato de substância" a apresentar pelo Governo é o Plano Estratégico de Desenvolvimento.

O documento é importante e não quero desmerece-lo (quem sou eu para o fazer?). Mas mais uma vez vem ao de cima a minha formação de economista e de professor filho e neto de professores... Digo isto a propósito da designação de "Plano" dado ao documento. É que plano é uma coisa e uma lista de desejos (por exemplo, ao Pai Natal) é outra.

Para ser verdadeiramente um Plano, ainda que "apenas" estratégico e com um horizonte de 20 anos pela frente, penso que devia prever minimamente pelo menos três "coisas": o que se vai fazer, quem vai fazer e com que financiamento se vai concretizar.

Ora no documento produzido pelo Governo há muito da primeira "coisa", quase nada da segunda e ainda menos da terceira. Andei, nomeadamente, à procura de um capítulo sobre financiamento do dito cujo e... nada! Não se esperava que se apresentassem contas muito bem feitinhas e aproximadas ao tostão mas pelo menos alguma coisa de substantivo... Assim sendo, como sei se tenho/vou ter os recursos para fazer aquelas "coisas" todas?

E sobre o quem vai fazer também me ficam algumas dúvidas. O próprio plano reconhece que o país tem uma enorme carência de pessoal qualificado e, mesmo, de quadros de qualidade e por isso aposta muito [E MUITO BEM!] nas áreas da educação e da formação ("bote" muito dinheiro nisso, João Câncio, nomeadamente na formação técnica). Mas se é assim, parece que vai haver algum desfasamento temporal entre a disponibilidade de recursos humanos qualificados e o quem vai executar o plano, muito exigente.

Eu sei: estou a ser pessimista. Reconheço que é um bocado de feitio... Mas estarei mesmo? Não estou a discutir o rumo adoptado --- isso é outra história a discutir noutro local --- mas temo que não haja "gás" suficiente para se ir tão depressa.

E depois há outra coisa: venho e estou (intermitentemente) em Timor Leste desde 2001. Isto é: há 10 anos (uma estada de 5 dias em 2000 não conta...). E praticamente desde essa altura que conheço uns buracos que estão no entroncamento das duas ruas, uma interior e outra exterior, que à saída de Manatuto "desaguam" na estrada para leste, em direcção a Baucau. Pois aqueles santos buracos estão ali há dez anos, pacientemente, sempre à espera do viandante para o saudar! Já nos tratamos por tu e tudo! É por isso que eu sou mais um pouco pessimista que outros quanto à capacidade de fazer desaparecer os vários "buracos" que há que tapar em tão (apesar de tudo) curto espaço de tempo.

Mas saltarei de alegria no dia em que eles desaparecerem. Prometo. Apesar de ser sempre triste ver partir uns amigos de tantos anos... :-)

Publicada por A. M. de Almeida Serra - Professor (reformado) de "Políticas Económicas e Sociais de Desenvolvimento" e de "Economia da Ásia-Pacífico" do ISEG/UTL (Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa).
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3 comentários:

Anónimo disse...

É verdade Professor! Grande observação! Aquele doutores na AMP deviam dar ouvidos a esses tipos de artigos. São uns conselhos e palestras gratuitos mas muito valiosos. Mas não vale a pena falarmos, porque com aqueles senhores governantes e doutores da AMP é a mesma coisa que se fala com umas estátuas de paus. Os sábios dizem: "O homem sonha, Deus quer e a obra nasce". Mas isto não se aplica aos doutores da AMP porque para eles aplica-se esta "sabedoria": "o homem sonha, há dinheiro do petróleo, 99,9999 do dinheiro foi para o bolso, Deus ficou admirado, a obra nunca mais aparece e o povo está tonto!

Bemvindo a republica do Banana Gusmao! ^_^

Anónimo disse...

É verdade Professor! Grande observação! Aqueles doutores da AMP deviam dar ouvidos a esses tipos de artigos. São uns conselhos e palestras gratuitos mas muito valiosos. Mas não vale a pena falarmos, porque com aqueles senhores governantes e doutores da AMP é a mesma coisa que se fala com umas estátuas de paus.

Os sábios dizem: "O homem sonha, Deus quer e a obra nasce". Mas isto não se aplica aos doutores da AMP porque para eles aplica-se esta "sabedoria": "o homem sonha, há dinheiro do petróleo, 99,9999 % do dinheiro foi para o bolso, Deus ficou admirado, a obra nunca mais aparece e o povo está tonto!

Bem-vindo a republica do Banana Gusmao! ^_^

Anónimo disse...

O que me preocupa ainda mais e que houve uma falta de respeito para com aqueles deputados que nao estao no governo. Se em Timor se vive num estado democratico, o que aconteceu com a a Lei do Plano de Desenvolvimento, mormente no tempo dado aos deputados para o lerem, o tempo que lhes foi dado para discussao etc... vem provar o contrario. O governo pode ter visto o plano passar, mas essa "childish" atitude, poe em risco as proximas eleicoes de 2012,pois a meu ver vai criar animos que vao levar aquilo que ja nos vamos habituando, pancada, pedrada, fogo e consequentemente mortes. Os nossos conterraneos no poder nao enxergam muito mais e e uma pena. E claro que Timor Leste precisa de um plano de desenvolvimento para o futuro, mas ainda precisa mais de um plano com acordo de 3/4 do paralamento, para nao se cair na velha historia.
Agora so nos resta que criem outro plano de desenvolvimento das mentes e da educacao democratica dos nossos politicos e governantes. Ja aqui escrevi que o Povo de Timor Leste nao tem sorte com os seus politicos e houve quem torcesse o nariz aos meus comentarios. E agora nao acham que esta aqui a prova dos nove?
Um abraco
Mau Dick