Lisboa, 19 mai (Lusa) -- O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, disse hoje aos funcionários da missão das Nações Unidas no país para fazerem as malas e oferecerem os seus serviços a países como o Iraque, Afeganistão ou Paquistão, noticiou um jornal australiano.
"A minha proposta é esta: UNMIT [Missão das Nações Unidas em Timor-Leste] e especialistas em Timor, ofereçam os vossos serviços para melhorar o Iraque, Afeganistão, Paquistão, e apoiem a democracia no Iémen, Síria ou Líbia", afirmou Xanana Gusmão, citado pelo diário australiano Sydney Morning Herald.
Num discurso muito duro, proferido na véspera das comemorações do 9.º aniversário da independência de Timor-Leste, o primeiro-ministro timorense disse também aos trabalhadores timorenses da ONU em Dili que "não devem rastejar pelo dinheiro de outros". "Porque isso é uma doença, a que chamamos colonialismo mental", frisou.
Xanana Gusmão reagiu desta maneira a pareceres de elementos da missão das Nações Unidas em Timor-Leste (UNMIT), que apontam o executivo e em especial o primeiro-ministro como um obstáculo à ação da ONU no desenvolvimento do regime constitucional.
Esses pareceres constam de um documento interno da UNMIT, do qual o jornal Tempo Semanal obteve uma cópia que divulgou há dois dias e onde se diz que "o executivo, especialmente o primeiro-ministro, procura mais e mais poder em detrimento do Parlamento e do poder judicial".
O primeiro-ministro de Timor-Leste também atacou os países doadores, como a Austrália, afirmando que apesar de a comunidade internacional já ter gasto quase oito mil milhões de dólares (cerca de 5,6 mil milhões de euros) no país ao longo de oito anos não é visível "qualquer desenvolvimento físico", e há "até mesmo mais pobreza" em Timor-Leste, cita também o Sydney Morning Herald.
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