Maputo, 20 abr (Lusa) -- O Chefe de Estado-Maior General das Falintil-Forças de Defesa (F-FDTL) timorenses, Taur Matan Ruak, considerou hoje "inválida" a opinião expressa no relatório do instituto de estratégia da Austrália sobre a continuação das forças australianas em Timor-Leste até 2020.
O relatório do Australian Strategic Policy Institute (ASPI), divulgado este mês, adverte que a retirada total das forças australianas, prevista para depois das eleições de 2012, "pode abrir caminho a novas convulsões no país que obriguem a nova intervenção militar liderada pela Austrália".
Isto porque, segundo o documento, persistem em Timor-Leste "vários fatores de destabilização que levaram ao quase colapso do Estado timorense em 2006".
Questionado hoje pela Lusa sobre a proposta, Taur Matan Ruak disse que "o relatório não vale, o que vale é a decisão do Estado timorense", pelo que o país deve aprender praticando.
"Há um consenso nacional estabelecido, que estipula o fim da missão para 2012, tanto para a força de estabilização internacional (Austrália e Nova Zelândia) como as Nações Unidas. O relatório não vale, o que vale é a decisão do Estado timorense, e essa é a nossa decisão, ponto final", afirmou.
Falando à margem da 13.ª Reunião dos Chefes de Estado-Maior das Forças Armadas da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, em Maputo, o major general das F-FDTL defendeu que se pratica aprendendo e acrescentou: "nós estamos em constante aprendizagem, para melhorar, e assumir as rédeas do país. As convulsões têm as suas causas e nós queremos sucessos para o futuro".
O ASPI contraria a avaliação das próprias Nações Unidas, que decidiram retirar a sua missão de Timor-Leste, a UNMIT, até ao final de 2012, ano de eleições presidenciais e legislativas, por considerar que, a não haver alterações significativas, a consolidação da paz e estabilidade em Timor-Leste não justificam a sua presença.
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