POR MAU DICK
Há muito tempo que sonhava em tornar realidade um sonho, de poder telefonar ao Pai para saber o que passa no outro mundo, saber se ele está bem e se tem saudades deste mundo nosso.
Por graça de Vina, consegui o numero de telefone que e 1300 PAI PAI.
Disquei o numero, confesso que um pouco nervoso e não e que me atende uma pessoa com sotaque tipo indiano? É que lá tal como cá, por causa de questões orçamentais e lucros todas as chamadas vão para uma central no vale silicone, na Índia. Depois de trocar umas palavras com o operador de telefones e de me identificar, transferiu a chamada pró Pai, que vive no primeiro andar lá do burgo.
Alô, é o Pai?
P: Sou sim.
E: Há tanto tempo que não lhe ouvia a voz e já tinha perdido as esperanças de o poder contactar.
P: Olha que eu sabia que tu me ias telefonar.
E: Então aí também é Sexta-feira Santa.
P: Aqui não, porque não morre ninguém, quem vem prá cá fica vivinho da costa prá sempre.
P: E vocês ainda têm o Good Friday, onde só e Good de nome e todos andam com cara de enjoados, não comem carne e falam sozinhos naquelas casas grandes que dizem que são minhas?
E: É verdade Pai, é cá uma seca do caraças, mas pelo menos o Luís de Altena está satisfeito pois não vai trabalhar a Sexta-feira Santa.
E: Vocês aí têm partidos políticos?
P: Não aqui os políticos são inteiros e maciços.
E: E usam dinheiro?
P: Não, aqui é tudo de borla, não se compra nada, temos tudo o que precisamos e crescem nas árvores.
E: E têm quatro estacões do ano?
P: Nós temos a Tiavera, Cegorão, Intono e Outverno.
De repente, a linha telefónica começa a fazer um barulho ensurdecedor e a nossa conversa foi interrompida.
PS: (Para a semana vou ver se consigo voltar a entrar em contacto com o Pai.)
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