Quarta-feira, 30 de Março de 2011

Timor... à nossa imagem e semelhança

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Por Álvaro Magalhães - Diário do Minho - 30 Mar 2011

Apesar de situado nos antípodas, Timor Leste é um território que a maioria dos portugueses se habituou a manter no coração. Desde 1975 aquele país esteve muitos anos votado a um ensurdecedor silêncio que só a visita do Papa João Paulo II, em 1985, resgatou das trevas mediáticas. Em 1991, o massacre de Santa Cruz despertou definitivamente o mundo para a realidade dos timorenses.

Seguiram-se diversas iniciativas organizadas pelos portugueses para chamar a atenção do mundo para a condenação a que estavam votados os timorenses. Destaco a epopeica viagem do “Lusitânia Expresso” e, posteriormente, a prisão de Xanana Gusmão e o papel hercúleo de D. Ximenes Belo que acalentava a esperança da liberdade na população.

A causa timorense que Portugal adoptou ganhou peso mundial em 1996, quando Ramos Horta e D. Ximenes Belo recebem o Nobel da Paz. Seguiram-se a queda de Suharto, a assinatura dos acordos de Nova Iorque e a realização do referendo pró-independência em Setembro de 1999.

Depois de alcançada a independência política eis que surge o petróleo e, com ele, a esperança de uma rápida emancipação e independência económicas.

Agora, Portugal está a “voltar” a Timor para aí investir e aproveitar o melhor que as economias dos timorenses possam render. Vejam-se os resultados da PT na sua participada Timor Telecom.

Fiquei surpreendido por saber que, mesmo sem ter asseguradas as infra-estruturas básicas, aquela operadora acaba de superar 500 mil clientes na rede móvel, atingindo uma taxa de penetração de cerca de 50% da população timorense! O objectivo é chegar aos 62% em 2012.

Em Portugal é sabido o apetite que as gentes têm pelo seu telemóvel topo de gama, mesmo que não tenham dinheiro para a mercearia do mês. Um estudo revelado estes dias indicava Portugal como um dos que tinham as telecomunicações mais caras da Europa e que era um país em que num conjunto de 100 habitantes existem 151 telemóveis.

Pergunto: será que Portugal está a “criar” Timor como um país à sua imagem e semelhança?
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2 comentários:

Anónimo disse...

“Será que Portugal está a “criar” Timor como um país à sua imagem e semelhança?”

Ora isto é uma boa pergunta mas para começar devo dizer as intenções de Portugal poderia ser outra mas as autoridades Timorenses queiram que assim seja. Faz me lembrar das declarações de Agostinho Neto: “Os portugueses trouxeram a biblia. Os angolanos ficaram com ela e os portugueses com a terra”. A Portugal Telecom trouxe os telemóveis de baixos preços. Os Timorenses ficaram abraçados a preços elevadissimos e a Portugal Telecom com milhões de USD.

Vejamos alguns dos desenvolvimentos que acontecem no terreno. Por exemplo, Timor-Leste tem uma fortuma, em termos de recursos naturais, o que Portugal não tem. Embora Portugal não tenha recursos naturais como Timor-Leste, ela já tinha um montão de bens que foram roubados as ex-colónias desde séculos. Dois países que têm muitas riquezas que podem abastecer as suas populações, andam quase, na maioria do tempo, mendigar aos outros países que por ventura não têm as mesmas riquezas mas que ao longo dos anos, desenvolveram as suas economias, investindo. France, Reino Unido, Bélgia, Holanda são dos poucos que valem a pena citarem.

Com a Portugal Telecom ao investir em Timor-Leste, esta companhia quer que os Timorenses tenham acesso as últimas que as tecnologias tem de oferecer, entretanto, que estas intenções não vão ao encontro das necessidades daquele povo. Uma coisa é vender ao público os bens que podem ‘facilitar’ a vida mas outra é vender-los a preços ‘mais competitvos’, sabendo de ante-mão de que as pessoas não tinham possibilidades de comprar-los. Ter um telemóvel não é uma necessidade mas sim de luxo. Por exemplo, há dois anos atraz, o TT queria que um terço da população ‘tivesse acesso’, ou melhor queriam vender 250.000 telemóveis aos Timorenses. Para que isso possa acontecer, o TT deu como isca um automóvel, por via de rifa, para quem comprar um Alcatel. Ora bem, muitos timorenses caíram na trama e compararm. Nalgumas familias gastaram muito mais do que podiam. Por exemplo, no meu bairro, uns vizinhos gastaram acima de US$100, distrubuíndo as suas familias, que muitas delas nem sabem marcar os digitos. Este ‘investimento’ foi convidativo para eles porque se ganhassem o automóvel eles poderiam fazer muito mais com isso. Mas a verdade é que a maldita sorte foge cada vez mais.

Enquanto que o governo timorense investe ou diz investir o dinheiro que tem, durante estes 9 anos de independência, tornou o país dependente. O país é refêm da malnutrição, da fome, do desemprego, da corrupção. Na era do governo de Alkatiri o orçamento era pequeno e do atual governo ultrapassa as expetativas do seu povo so que esta verba não se destina a quem os ministros dizem serem destinados. Hoje, estamos dependentes de outros países, atravez de donativos e refêm de tudo que não é nada de bom. Como em Portugal, o pessoal compete entre eles na compra de bens de luxos mesmo que tenham que apertar os cintos, em Timor-Leste o pessoal compete com os ministros e seus familares para sobreviver. Aqui só há um vencedor: o que sabe roubar a luz do dia. E assim 1-0 para os ministros porque na terra do: Timor-Leste: Um povo, uma Pátria, a o bem-estar afasta cada vez mais.

Ili Manu

Anónimo disse...

Hello, hello e de Dili?

Hello, hello e de Dili?

Hello, hello e de Dili?

Hello, hello e de Dili?

Porra que os telefones nao funcionam e sao muito caros.

Um abraco

Pilintra