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Díli, 08 dez (Lusa) -- José Ramos-Horta, laureado com o Prémio Nobel da Paz em 1996, disse hoje que não tem planos de estar presente na entrega do galardão ao dissidente chinês Liu Xiaobo, nem Timor-Leste se fará representar.
Timor-Leste será assim um dos países ausentes da cerimónia de sexta-feira em Oslo, Noruega, a cujo boicote as autoridades chinesas lançaram um apelo, juntando-se a cerca de duas dezenas de países, entre os quais a Rússia e Cuba, que declinaram o convite para a cerimónia.
À chegada a Díli, de regresso a uma visita a Cuba, o Presidente timorense justificou a sua posição, afirmando que não é habitual marcar presença das cerimónias de entrega dos Prémios.
"Em relação à cerimónia do Prémio Nobel, a única vez em que fui à cerimónia de outro Nobel da Paz foi em 2001, quando o Presidente Kim Dae-Jung (da Coreia do Sul) o recebeu. Na altura fui eu que o propus e o Presidente Kim Dae-Jung e o Comité Nobel convidaram-me. Não estive na cerimónia de qualquer outro laureado e não tenho planos para estar em Oslo este ano", disse.
Questionado se o seu país se faria representar, José Ramos-Horta esclareceu que Timor-Leste não marcará presença a qualquer nível, por não possuir representação diplomática na Noruega.
"Timor-Leste não tem lá representação diplomática para assistir a essa cerimónia, porque não tem embaixada em Oslo", justificou.
Em Pequim, o regime chinês renovou as críticas aos membros do Comité Nobel norueguês, que qualificou como "palhaços", e afirmou que gozava do apoio da "maioria" da comunidade internacional.
Segunda potência económica mundial, o país asiático tentou dissuadir outros países de participarem na cerimónia, enviando uma nota a várias embaixadas para lhes solicitar que boicotassem a cerimónia, ameaçando com "consequências" os Estados que apoiem Liu Xiaobo.
"Mais de 100 países e organizações internacionais exprimiram de forma explícita o seu apoio à posição da China", afirmou a porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Jiang Yu.
Antiga figura de relevo do movimento pró-democrático de Tiananmen, em 1989, Liu Xiaobo, ex-professor de literatura, de 54 anos, foi condenado no dia de Natal de 2009 a 11 anos de prisão, por "subversão do poder de Estado", depois de ter co-redigido a "Carta 08", um texto que reclama a democratização da China.
MSO/RN.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Lusa/Fim
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Díli, 08 dez (Lusa) -- José Ramos-Horta, laureado com o Prémio Nobel da Paz em 1996, disse hoje que não tem planos de estar presente na entrega do galardão ao dissidente chinês Liu Xiaobo, nem Timor-Leste se fará representar.
Timor-Leste será assim um dos países ausentes da cerimónia de sexta-feira em Oslo, Noruega, a cujo boicote as autoridades chinesas lançaram um apelo, juntando-se a cerca de duas dezenas de países, entre os quais a Rússia e Cuba, que declinaram o convite para a cerimónia.
À chegada a Díli, de regresso a uma visita a Cuba, o Presidente timorense justificou a sua posição, afirmando que não é habitual marcar presença das cerimónias de entrega dos Prémios.
"Em relação à cerimónia do Prémio Nobel, a única vez em que fui à cerimónia de outro Nobel da Paz foi em 2001, quando o Presidente Kim Dae-Jung (da Coreia do Sul) o recebeu. Na altura fui eu que o propus e o Presidente Kim Dae-Jung e o Comité Nobel convidaram-me. Não estive na cerimónia de qualquer outro laureado e não tenho planos para estar em Oslo este ano", disse.
Questionado se o seu país se faria representar, José Ramos-Horta esclareceu que Timor-Leste não marcará presença a qualquer nível, por não possuir representação diplomática na Noruega.
"Timor-Leste não tem lá representação diplomática para assistir a essa cerimónia, porque não tem embaixada em Oslo", justificou.
Em Pequim, o regime chinês renovou as críticas aos membros do Comité Nobel norueguês, que qualificou como "palhaços", e afirmou que gozava do apoio da "maioria" da comunidade internacional.
Segunda potência económica mundial, o país asiático tentou dissuadir outros países de participarem na cerimónia, enviando uma nota a várias embaixadas para lhes solicitar que boicotassem a cerimónia, ameaçando com "consequências" os Estados que apoiem Liu Xiaobo.
"Mais de 100 países e organizações internacionais exprimiram de forma explícita o seu apoio à posição da China", afirmou a porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Jiang Yu.
Antiga figura de relevo do movimento pró-democrático de Tiananmen, em 1989, Liu Xiaobo, ex-professor de literatura, de 54 anos, foi condenado no dia de Natal de 2009 a 11 anos de prisão, por "subversão do poder de Estado", depois de ter co-redigido a "Carta 08", um texto que reclama a democratização da China.
MSO/RN.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
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