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Díli, 26 nov (Lusa) -- O vice-primeiro-ministro de Timor-Leste, José Luís Guterres, disse hoje que a ideia de nomear a sua mulher, Ana Valério, para a Missão nas Nações Unidas lhe foi comunicada pelo então chefe do Governo José Ramos-Horta.
O juiz de Direito do Tribunal Distrital de Díli, em despacho do dia 22, recebeu a acusação deduzida contra José Luís Guterres (atual vice-primeiro-ministro), Ana de Jesus Valério, e João Freitas de Câmara, bem como o pedido de indemnização cível.
Em causa estão as verbas pagas à mulher de José Luís Guterres, Ana de Jesus Valério, enquanto conselheira na Missão Permanente de Timor-Leste junto das Nações Unidas, cargo para que foi nomeada alegadamente de forma irregular, por ser estrangeira, segundo a acusação do Ministério Público.
Em declarações hoje à Agência Lusa, José Luís Guterres disse respeitar a decisão do Tribunal Distrital, salientando que o que está em causa não é o julgamento "porque esse será em março".
"A todos quero dizer que nada fiz de errado. O que eu fiz em 2006 foi, de acordo com as leis e tradição vigente e também porque era embaixador nos EUA na altura, quando fui convidado pelo então primeiro-ministro Ramos-Horta e pelo vice-primeiro-ministro para vir assumir as funções de ministro dos Negócios Estrangeiros", disse.
"Estava bem com a minha família, os meus filhos estavam a estudar em Nova Iorque, e na altura levantei essas questões ao então primeiro-ministro e vice-primeiro-ministro que me disseram que não havia problemas porque Ana Valério podia trabalhar na Missão de Timor-Leste nas Nações Unidas", acrescentou.
"Foi isso que aconteceu e, embora soubesse que ao vir para cá ficava a perder muito em termos financeiros, eu sabia que o país na altura, em 2006 estava em crise. Havia muitos refugiados aqui nas ruas de Díli, havia instabilidade, e, enquanto veterano da luta de libertação nacional era minha obrigação responder positivamente ao convite e dar a minha contribuição para o futuro do país", explicou.
"Como ministro ganhava líquidos pouco mais de 600 dólares, enquanto como embaixador em Nova Iorque, contabilizando as ajudas de custo e a renda de casa, mais de cinco mil dólares", afirmou.
"Em termos reais, quem ficou prejudicado fui eu, mas em consciência, como cidadão senti-me na obrigação de dar a minha contribuição total ao país, numa altura em que a independência e a unidade nacional estavam, ameaçadas", disse.
O atual vice-primeiro-ministro sustentou que a nomeação de estrangeiros, mesmo como embaixadores de Timor-Leste, "era prática corrente na altura, já desde o primeiro Governo" e lamentou que se alegue que a mulher não podia sê-lo por ter nacionalidade moçambicana, quando Moçambique "deu tudo à retaguarda da resistência, incluindo passaportes diplomáticos e normais".
"Não estou em nada arrependido daquilo que fiz e espero que o Tribunal, em março, ouça todas as razões e fundamentos", sublinhou.
"O caso foi levantado no parlamento pela FRETILIN, logo que tomei posse como vice-primeiro ministro. Podiam usar outros meios para me combaterem politicamente. Creio que fazer este tipo de campanha para denegrir as pessoas não é benéfico para a democracia", concluiu.
MSO.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Lusa/Fim
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Díli, 26 nov (Lusa) -- O vice-primeiro-ministro de Timor-Leste, José Luís Guterres, disse hoje que a ideia de nomear a sua mulher, Ana Valério, para a Missão nas Nações Unidas lhe foi comunicada pelo então chefe do Governo José Ramos-Horta.
O juiz de Direito do Tribunal Distrital de Díli, em despacho do dia 22, recebeu a acusação deduzida contra José Luís Guterres (atual vice-primeiro-ministro), Ana de Jesus Valério, e João Freitas de Câmara, bem como o pedido de indemnização cível.
Em causa estão as verbas pagas à mulher de José Luís Guterres, Ana de Jesus Valério, enquanto conselheira na Missão Permanente de Timor-Leste junto das Nações Unidas, cargo para que foi nomeada alegadamente de forma irregular, por ser estrangeira, segundo a acusação do Ministério Público.
Em declarações hoje à Agência Lusa, José Luís Guterres disse respeitar a decisão do Tribunal Distrital, salientando que o que está em causa não é o julgamento "porque esse será em março".
"A todos quero dizer que nada fiz de errado. O que eu fiz em 2006 foi, de acordo com as leis e tradição vigente e também porque era embaixador nos EUA na altura, quando fui convidado pelo então primeiro-ministro Ramos-Horta e pelo vice-primeiro-ministro para vir assumir as funções de ministro dos Negócios Estrangeiros", disse.
"Estava bem com a minha família, os meus filhos estavam a estudar em Nova Iorque, e na altura levantei essas questões ao então primeiro-ministro e vice-primeiro-ministro que me disseram que não havia problemas porque Ana Valério podia trabalhar na Missão de Timor-Leste nas Nações Unidas", acrescentou.
"Foi isso que aconteceu e, embora soubesse que ao vir para cá ficava a perder muito em termos financeiros, eu sabia que o país na altura, em 2006 estava em crise. Havia muitos refugiados aqui nas ruas de Díli, havia instabilidade, e, enquanto veterano da luta de libertação nacional era minha obrigação responder positivamente ao convite e dar a minha contribuição para o futuro do país", explicou.
"Como ministro ganhava líquidos pouco mais de 600 dólares, enquanto como embaixador em Nova Iorque, contabilizando as ajudas de custo e a renda de casa, mais de cinco mil dólares", afirmou.
"Em termos reais, quem ficou prejudicado fui eu, mas em consciência, como cidadão senti-me na obrigação de dar a minha contribuição total ao país, numa altura em que a independência e a unidade nacional estavam, ameaçadas", disse.
O atual vice-primeiro-ministro sustentou que a nomeação de estrangeiros, mesmo como embaixadores de Timor-Leste, "era prática corrente na altura, já desde o primeiro Governo" e lamentou que se alegue que a mulher não podia sê-lo por ter nacionalidade moçambicana, quando Moçambique "deu tudo à retaguarda da resistência, incluindo passaportes diplomáticos e normais".
"Não estou em nada arrependido daquilo que fiz e espero que o Tribunal, em março, ouça todas as razões e fundamentos", sublinhou.
"O caso foi levantado no parlamento pela FRETILIN, logo que tomei posse como vice-primeiro ministro. Podiam usar outros meios para me combaterem politicamente. Creio que fazer este tipo de campanha para denegrir as pessoas não é benéfico para a democracia", concluiu.
MSO.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Lusa/Fim
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