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Quinta, 07 Outubro 2010- Armenio C Santos - Jornal Fórum
A afirmação é do presidente da República Democrática de Timor-Leste, Ramos Horta, que passou dois dias no concelho de Paredes para agradecer o projeto de cooperação entre o município local e a diocese de Baucau.
Chegou na quinta-feira com uma comitiva que integrou o ministro da economia timorense, João Gonçalves. Depois de inaugurar uma escultura do Mestre João Cutileiro alusiva ao Prémio Nobel da Paz que recebeu em 1996, Ramos Horta foi recebido no salão nobre dos Paços do Concelho com pompa e circunstância.
A primeira visita de um chefe de estado estrangeiro a Paredes inspirou grandes cuidados por parte da autarquia que lhe reservou a chave de honra do município, entre outras ofertas de mobiliário. A fábrica de Baucau, outrora apelidada de carpintaria, esteve omnipresente nos discursos oficiais. Mas a afirmação mais redonda teve cunho presidencial. “Este é o melhor projeto de cooperação entre Portugal e Timor”, disparou seco Ramos Horta.
Atrás do Nobel da Paz seguiam, para além da comitiva oficial, dois elementos do gabinete de comunicação, um jornalista, e vários seguranças, alguns deles “à paisana”. Apesar de tudo, a visita decorreu sem incidentes e muito calma. Sem multidões e sem presença significativa da comunicação social nacional portuguesa, cujo eco da visita que se resumiu um take da agência Lusa.
O protocolo definido pela câmara de Paredes levou ainda a comitiva para o novo Centro Escolar de Gandra/Mouriz. Na inauguração (ver peça da página 3), Ramos Horta ficou deslumbrado com “melhor escola” que já viu. “Nem na América”, desabafou, depois de se fazer rodear dos alunos impacientes pela folga da cerimónia oficial.
O destino seguinte foi a Casa da Cultura, no centro de Paredes, onde foi inaugurada uma exposição no âmbito da “Quinzena de Timor”.
Timor era definitivamente o tema e, já depois de ter proposto a “beatificação de Celso Ferreira pela ajuda ao seu país”, no segundo dia de visita a rendição foi total. Em plena “Conferência de doadores”, que somou qualquer coisa como três milhões de ajuda em equipamento e dinheiro para Timor, Ramos Horta revelou que é um homem de amizades que, ao mesmo tempo, gosta de planear o futuro. O Nobel confessou que, depois do tempo passado no concelho, “se o Xanana me chatear muito a cabeça peço asilo político em Paredes”.
E, pela reação da audiência, não faltam paredenses com vontade de abrir as portas a um verdadeiro cidadão do Mundo.
A situação política em Timor, por Ramos Horta
O presidente da república timorense voluntariou-se para fazer uma atualização da situação social e económica do seu país.
Começando por referir que muita da informação veiculada pelos media nacionais não é 100 por cento correta, Ramos Horta anunciou que os censos timorenses, que serão divulgados no final do mês, revelam que a população cresceu de 900 mil habitantes, em 1999, para 1.200.000, em 2010.
Apesar deste crescimento demográfico descontrolado, que explica em parte o desiquilíbrio do país, a economia cresceu 12 por cento, como reflexo de um grande investimento na área social. A partilha dos fundo provenientes do petróleo com os mais pobres é uma bandeira do governo e tem o apoio da presidência de Timor. Também no plano privado, as coisas estão a melhorar na ex-colónia portuguesa. A construção civil é o grande responsável por um crescimento de 50 por cento.
Ao nível da segurança, Timor não está nada mal. Por cada 100 mil habitantes há 130 assaltos e também os homicídios têm registos baixos. Ramos Horta atribuiu estes dados à melhoria do nível de vida da população. “As pessoas têm mais emprego, mais apoio do Estado e mais dinheiro. Isso faz com que as pessoas não tenham tanta necessidade de roubas. Por outro lado, a baixa criminalidade reflete também o bom desempenho da polícia”, explicou antes de regressar às finanças do país.
Segundo o próprio chefe de estado, Timor tem o ascendente mais elevado do Mundo face ao PIB (300%). A explicação veio a seguir: “Timor é o terceiro país no Mundo e o primeiro asiático, na gestão do dinheiro proveniente do petróleo”.
As frases marcantes do Nobel da Paz
“Sempre que visito Portugal, faço-o com sentimento de gratidão”
“Celso Ferreira terá o meu apoio apoio político para ser beatificado em Roma”
“A fábrica é o melhor projeto de cooperação entre Portugal e Timor”
“Está a ser um sucesso (a fábrica) e já trabalha para exportação”
“Gostaria de ver repetido o exemplo de Baucau noutras dioceses”
“Não pedimos dinheiro, mas equipamento e recursos humanos”
“Só os pacientes conseguem ter paz”
“Gostava de um dia ter uma escola em Timor como esta (Gandra/Astromil)”
“Se eles (governo) me chatearem muito, peço asilo em Paredes”
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Quinta, 07 Outubro 2010- Armenio C Santos - Jornal Fórum
A afirmação é do presidente da República Democrática de Timor-Leste, Ramos Horta, que passou dois dias no concelho de Paredes para agradecer o projeto de cooperação entre o município local e a diocese de Baucau.
Chegou na quinta-feira com uma comitiva que integrou o ministro da economia timorense, João Gonçalves. Depois de inaugurar uma escultura do Mestre João Cutileiro alusiva ao Prémio Nobel da Paz que recebeu em 1996, Ramos Horta foi recebido no salão nobre dos Paços do Concelho com pompa e circunstância.
A primeira visita de um chefe de estado estrangeiro a Paredes inspirou grandes cuidados por parte da autarquia que lhe reservou a chave de honra do município, entre outras ofertas de mobiliário. A fábrica de Baucau, outrora apelidada de carpintaria, esteve omnipresente nos discursos oficiais. Mas a afirmação mais redonda teve cunho presidencial. “Este é o melhor projeto de cooperação entre Portugal e Timor”, disparou seco Ramos Horta.
Atrás do Nobel da Paz seguiam, para além da comitiva oficial, dois elementos do gabinete de comunicação, um jornalista, e vários seguranças, alguns deles “à paisana”. Apesar de tudo, a visita decorreu sem incidentes e muito calma. Sem multidões e sem presença significativa da comunicação social nacional portuguesa, cujo eco da visita que se resumiu um take da agência Lusa.
O protocolo definido pela câmara de Paredes levou ainda a comitiva para o novo Centro Escolar de Gandra/Mouriz. Na inauguração (ver peça da página 3), Ramos Horta ficou deslumbrado com “melhor escola” que já viu. “Nem na América”, desabafou, depois de se fazer rodear dos alunos impacientes pela folga da cerimónia oficial.
O destino seguinte foi a Casa da Cultura, no centro de Paredes, onde foi inaugurada uma exposição no âmbito da “Quinzena de Timor”.
Timor era definitivamente o tema e, já depois de ter proposto a “beatificação de Celso Ferreira pela ajuda ao seu país”, no segundo dia de visita a rendição foi total. Em plena “Conferência de doadores”, que somou qualquer coisa como três milhões de ajuda em equipamento e dinheiro para Timor, Ramos Horta revelou que é um homem de amizades que, ao mesmo tempo, gosta de planear o futuro. O Nobel confessou que, depois do tempo passado no concelho, “se o Xanana me chatear muito a cabeça peço asilo político em Paredes”.
E, pela reação da audiência, não faltam paredenses com vontade de abrir as portas a um verdadeiro cidadão do Mundo.
A situação política em Timor, por Ramos Horta
O presidente da república timorense voluntariou-se para fazer uma atualização da situação social e económica do seu país.
Começando por referir que muita da informação veiculada pelos media nacionais não é 100 por cento correta, Ramos Horta anunciou que os censos timorenses, que serão divulgados no final do mês, revelam que a população cresceu de 900 mil habitantes, em 1999, para 1.200.000, em 2010.
Apesar deste crescimento demográfico descontrolado, que explica em parte o desiquilíbrio do país, a economia cresceu 12 por cento, como reflexo de um grande investimento na área social. A partilha dos fundo provenientes do petróleo com os mais pobres é uma bandeira do governo e tem o apoio da presidência de Timor. Também no plano privado, as coisas estão a melhorar na ex-colónia portuguesa. A construção civil é o grande responsável por um crescimento de 50 por cento.
Ao nível da segurança, Timor não está nada mal. Por cada 100 mil habitantes há 130 assaltos e também os homicídios têm registos baixos. Ramos Horta atribuiu estes dados à melhoria do nível de vida da população. “As pessoas têm mais emprego, mais apoio do Estado e mais dinheiro. Isso faz com que as pessoas não tenham tanta necessidade de roubas. Por outro lado, a baixa criminalidade reflete também o bom desempenho da polícia”, explicou antes de regressar às finanças do país.
Segundo o próprio chefe de estado, Timor tem o ascendente mais elevado do Mundo face ao PIB (300%). A explicação veio a seguir: “Timor é o terceiro país no Mundo e o primeiro asiático, na gestão do dinheiro proveniente do petróleo”.
As frases marcantes do Nobel da Paz
“Sempre que visito Portugal, faço-o com sentimento de gratidão”
“Celso Ferreira terá o meu apoio apoio político para ser beatificado em Roma”
“A fábrica é o melhor projeto de cooperação entre Portugal e Timor”
“Está a ser um sucesso (a fábrica) e já trabalha para exportação”
“Gostaria de ver repetido o exemplo de Baucau noutras dioceses”
“Não pedimos dinheiro, mas equipamento e recursos humanos”
“Só os pacientes conseguem ter paz”
“Gostava de um dia ter uma escola em Timor como esta (Gandra/Astromil)”
“Se eles (governo) me chatearem muito, peço asilo em Paredes”
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