Sábado, 9 de Outubro de 2010

ONDE PÁRA A POLÍCIA?

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09 de Outubro de 2010 - sapo.tl

São mais simbólicas do que úteis, mas há-as às dezenas nas esquinas das ruas mais caóticas da cidade de Díli. Não estão a servir de abrigo como era suposto, mas os pequenos postos da polícia são mais uma prova da cooperação entre as Nações Unidas e a Polícia de Timor para o progressivo regresso da normalidade ao país.

Percorrer as ruas de Díli ao volante de um automóvel é, em si, uma aventura. Quando não há regras nem sinais que nos valham, é ver a brigada de trânsito da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) a tentar pôr alguma ordem no pequeno caos citadino diário.

Como as confusões na estrada são tão constantes como beber uma água de coco ao final do dia, surgem-nos, ao virar da esquina – literalmente falando – pequenos postos de abrigo que nos dizem ser para os polícias sinaleiros da PNTL. Mas sem certezas.

Talvez porque ninguém foi informado da sua colocação, talvez porque a data em que surgiram é incerta – é fácil apostar no pós-crise de 2006 – mas, mais certo, porque nunca ninguém viu lá nenhum agente.

Para os polícias – timorenses ou estrangeiros – estas pequenas casas de abrigo nas esquinas das ruas de Díli albergam mais simbolismo que utilidade prática. De um lado, o símbolo da UNPOL. Do outro, o da PNTL. E um aperto de mãos a uni-los.

Sempre a presença da organização internacional, preponderante na reestruturação da instituição policial de Timor. Uma presença com tendência a diminuir.

Depois das transferências de poder da UNPOL para a PNTL nos distritos de Lautém, Oecussi, Manatuto e Viqueque, na semana passada foi a vez de Manufahi passar a ser policiada apenas por agente nacionais.

A polícia internacional está a formar homens timorenses para assegurarem o comando da PNTL, além de ser a grande responsável executiva pela segurança interna do Estado de Timor. Chamada ao país em 2006, sob a direcção do português Luís Carrilho, a UNPOL deverá sair totalmente de Timor durante o ano de 2012.

É pelo menos essa a crença do primeiro-ministro, Xanana Gusmão que apresentou ao Presidente Ramos Horta um programa de formação para a polícia continuar a ser treinada, nos próximos cinco anos. Quanto aos equipamentos, para 2011, está previsto apetrechar cada esquadra, cada posto e cada comando distrital e depois em cada ano reforçar gradualmente.

Para a fotografia, fica apenas o simbolismo de um país que agarrou as mãos que o ajudaram a conquistar uma independência efectiva.
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