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Mundo Português- Segunda-Feira, 02 Agosto de 2010
O Instituto Português do Oriente (IPOR), vai coordenar a política cultural e da língua de Portugal na China e em duas regiões adjacentes, os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e a área de Japão/Coreia do Sul.
A intenção foi definida num documento de orientação estratégica divulgado pelo Instituto Camões (IC) explicada pela “crescente afirmação da Índia e da China como gigantes económicos” e ainda “a crescente importância que Macau vem adquirindo como plataforma regional de diálogo com os espaços da lusofonia”.
A intenção está expressa num documento de orientação estratégica do Instituto Camões (IC), apresentado em Julho, pela presidente do IC, Ana Paula Laborinho, durante a Assembleia-geral do IPOR. O documento define para toda a Ásia três “pontos de coordenação, que têm, como pólos irradiadores, dialogantes e articulados”, as posições da rede do IC em Timor-Leste, na Índia e na China.
A escolha de Índia e China é explicada pela “crescente afirmação da Índia e da China como gigantes económicos” que apostam em I&D (Investigação e Desenvolvimento), o que justifica a sua eleição “como objectivo prioritário de uma política cultural externa na região”, à semelhança, do que fizeram países como a Espanha, que em 2000 elegeu a Ásia como objectivo de política cultural externa para a década, explica o IC na sua página na internet.
Quanto ao IPOR, que está implantado em Macau, o documento de orientação estratégica diz ser “entender do Instituto Camões que a acção externa nos domínios da língua e da cultura portuguesas ganhariam com a reutilização do modelo” que esteve na sua origem, não só pela distância de Portugal, mas também pelo “aproveitamento das sinergias assentes em proximidades culturais e, sobretudo, em condições materiais e simbólicas instituídas em Macau”.
No mesmo documento é referido que em relação ao IPOR, “com a reformulação dos estatutos ocorrida em Maio de 2009”, aquele instituto “restringiu a sua actuação a Macau e apenas ao domínio da língua”, passando o Estado Português, através do IC, a “assegurar sozinho os encargos financeiros relativos às estruturas existentes nos países do Sudeste Asiático, China, Coreia do Sul e Japão, antes partilhados”. No entender do IC, com essa mudança não foi encontrado “um modelo que pudesse beneficiar da posição estratégica do IPOR, bem como dos seus recursos humanos e materiais”. O Instituto ocupa actualmente um piso do edifício do Consulado-Geral de Portugal em Macau e detém o espaço onde está instalada a Livraria Portuguesa.
O IC defende no documento que “a crescente importância que Macau vem adquirindo como plataforma regional de diálogo com os espaços da lusofonia”, e as directivas do governo chinês, podem fazer beneficiar o IPOR “ou idêntico modelo”, da “cooperação com instituições locais” de Macau na formação de professores, na oferta de cursos extracurriculares e para fins específicos e na promoção de actividades culturais complementares do ensino da língua, “potenciando os meios materiais e humanos actualmente subaproveitados”. O português é língua oficial de Macau até 2049.
Macau: ponto de partida para outras regiões
Ainda relativamente à China e a Macau, o documento destaca que o aumento da procura do português foi consequência das orientações dadas às universidades para introduzirem nos seus planos de estudos pelo menos duas opções de língua estrangeira. Actualmente, “existem seis leitorados e docência de português em pontos estratégicos (Beijing [Pequim], Tianjin, Xangai, Hua Qiao, Chengdu, Cantão, Hong Kong)”, resultando alguns cursos de protocolos com universidades portuguesas, “o que deve ser incentivado”.
O documento define que, aproveitando a “condição de Macau como plataforma regional para uma política cultural externa”, lhe sejam agregadas duas outras grandes regiões. Os países da ASEAN, “onde desenvolvemos acção cultural - Indonésia, Malásia, Singapura, Tailândia, Vietname-, mas também aqueles onde pretendemos desenvolver ou retomar essa acção”, defende o documento. A segunda área de intervenção engloba a Coreia do Sul e o Japão.
Timor-Leste: plataforma para a Oceânia
Já a escolha de Timor-Leste como pólo coordenador de uma região asiática que engloba ainda a Austrália e a Nova Zelândia, decorre, segundo o texto, da sua “condição de país que escolheu o português como língua oficial”. “No caso de Timor-Leste, a sua relevância enquanto único país de língua oficial portuguesa na região justifica por si só a condição de pólo de coordenação”, frisa o documento.
Naquele pólo, o principal objectivo será “alcançar uma eficaz coordenação entre todos os actores da cooperação portuguesa no domínio da língua”. Uma recomendação é deixada ao Centro Cultural Português/IC de Díli no sentido de “reforçar a sua intervenção utilizando instalações de outras instituições, enquanto não dispõe de um espaço adequado às várias valências que é desejável possuir - biblioteca, livraria, Sala de exposições, auditório, centro de recursos pedagógicos”.
O documento enumera ainda as razões para aproveitar os recursos portugueses disponíveis em Timor-Leste, com vista a desenvolver uma política de língua na Austrália: a existência de uma comunidade portuguesa estimada em mais 50 mil pessoas e o aumento do interesse pelo português com a independência de Timor-Leste.
A resposta a estas solicitações “passa pelo apoio à abertura de cursos de licenciatura em universidades australianas, tendo como principal objectivo a formação de professores e, ainda, o estabelecimento de protocolos com as autoridades australianas para a oferta do português no ensino secundário, no sentido, aliás dos programas locais de promoção do multilinguismo”, acrescenta.
Índia: aproveitar a dimensão geográfica
A escolha do outro pólo estratégico, representado pela Índia, “deriva do reconhecimento da sua dimensão geográfica e crescente importância nos sectores da investigação e das tecnologias”, refere o documento de orientação estratégica.
O texto destaca ainda “o particular contexto do Estado de Goa”, onde “tem aumentado o interesse pelo português”. Actualmente, a cooperação do IC se restringe às universidades de Nova Deli, Calcutá e Goa, e a cursos esporádicos em Damão e Diu, “sendo a maioria leccionados por professores locais”.
O documento aponta a “necessidade de programas de formação e elaboração de materiais didácticos, inclusive no Estado de Goa, onde a Fundação Oriente desenvolve um programa de apoio financeiro às escolas do ensino secundário que oferecem português” e de “uma boa articulação entre o Centro Cultural Português em Nova Deli e o Centro de Língua Portuguesa em Goa, enquanto pontos de uma estratégia irradiadora do português como língua de comunicação internacional na Índia».
O IC detém uma posição maioritária (51 por cento) no IPOR, sendo o restante capital pertença da Fundação Oriente (44 por cento) e de um conjunto de empresas portuguesas.
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Mundo Português- Segunda-Feira, 02 Agosto de 2010
O Instituto Português do Oriente (IPOR), vai coordenar a política cultural e da língua de Portugal na China e em duas regiões adjacentes, os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e a área de Japão/Coreia do Sul.
A intenção foi definida num documento de orientação estratégica divulgado pelo Instituto Camões (IC) explicada pela “crescente afirmação da Índia e da China como gigantes económicos” e ainda “a crescente importância que Macau vem adquirindo como plataforma regional de diálogo com os espaços da lusofonia”.
A intenção está expressa num documento de orientação estratégica do Instituto Camões (IC), apresentado em Julho, pela presidente do IC, Ana Paula Laborinho, durante a Assembleia-geral do IPOR. O documento define para toda a Ásia três “pontos de coordenação, que têm, como pólos irradiadores, dialogantes e articulados”, as posições da rede do IC em Timor-Leste, na Índia e na China.
A escolha de Índia e China é explicada pela “crescente afirmação da Índia e da China como gigantes económicos” que apostam em I&D (Investigação e Desenvolvimento), o que justifica a sua eleição “como objectivo prioritário de uma política cultural externa na região”, à semelhança, do que fizeram países como a Espanha, que em 2000 elegeu a Ásia como objectivo de política cultural externa para a década, explica o IC na sua página na internet.
Quanto ao IPOR, que está implantado em Macau, o documento de orientação estratégica diz ser “entender do Instituto Camões que a acção externa nos domínios da língua e da cultura portuguesas ganhariam com a reutilização do modelo” que esteve na sua origem, não só pela distância de Portugal, mas também pelo “aproveitamento das sinergias assentes em proximidades culturais e, sobretudo, em condições materiais e simbólicas instituídas em Macau”.
No mesmo documento é referido que em relação ao IPOR, “com a reformulação dos estatutos ocorrida em Maio de 2009”, aquele instituto “restringiu a sua actuação a Macau e apenas ao domínio da língua”, passando o Estado Português, através do IC, a “assegurar sozinho os encargos financeiros relativos às estruturas existentes nos países do Sudeste Asiático, China, Coreia do Sul e Japão, antes partilhados”. No entender do IC, com essa mudança não foi encontrado “um modelo que pudesse beneficiar da posição estratégica do IPOR, bem como dos seus recursos humanos e materiais”. O Instituto ocupa actualmente um piso do edifício do Consulado-Geral de Portugal em Macau e detém o espaço onde está instalada a Livraria Portuguesa.
O IC defende no documento que “a crescente importância que Macau vem adquirindo como plataforma regional de diálogo com os espaços da lusofonia”, e as directivas do governo chinês, podem fazer beneficiar o IPOR “ou idêntico modelo”, da “cooperação com instituições locais” de Macau na formação de professores, na oferta de cursos extracurriculares e para fins específicos e na promoção de actividades culturais complementares do ensino da língua, “potenciando os meios materiais e humanos actualmente subaproveitados”. O português é língua oficial de Macau até 2049.
Macau: ponto de partida para outras regiões
Ainda relativamente à China e a Macau, o documento destaca que o aumento da procura do português foi consequência das orientações dadas às universidades para introduzirem nos seus planos de estudos pelo menos duas opções de língua estrangeira. Actualmente, “existem seis leitorados e docência de português em pontos estratégicos (Beijing [Pequim], Tianjin, Xangai, Hua Qiao, Chengdu, Cantão, Hong Kong)”, resultando alguns cursos de protocolos com universidades portuguesas, “o que deve ser incentivado”.
O documento define que, aproveitando a “condição de Macau como plataforma regional para uma política cultural externa”, lhe sejam agregadas duas outras grandes regiões. Os países da ASEAN, “onde desenvolvemos acção cultural - Indonésia, Malásia, Singapura, Tailândia, Vietname-, mas também aqueles onde pretendemos desenvolver ou retomar essa acção”, defende o documento. A segunda área de intervenção engloba a Coreia do Sul e o Japão.
Timor-Leste: plataforma para a Oceânia
Já a escolha de Timor-Leste como pólo coordenador de uma região asiática que engloba ainda a Austrália e a Nova Zelândia, decorre, segundo o texto, da sua “condição de país que escolheu o português como língua oficial”. “No caso de Timor-Leste, a sua relevância enquanto único país de língua oficial portuguesa na região justifica por si só a condição de pólo de coordenação”, frisa o documento.
Naquele pólo, o principal objectivo será “alcançar uma eficaz coordenação entre todos os actores da cooperação portuguesa no domínio da língua”. Uma recomendação é deixada ao Centro Cultural Português/IC de Díli no sentido de “reforçar a sua intervenção utilizando instalações de outras instituições, enquanto não dispõe de um espaço adequado às várias valências que é desejável possuir - biblioteca, livraria, Sala de exposições, auditório, centro de recursos pedagógicos”.
O documento enumera ainda as razões para aproveitar os recursos portugueses disponíveis em Timor-Leste, com vista a desenvolver uma política de língua na Austrália: a existência de uma comunidade portuguesa estimada em mais 50 mil pessoas e o aumento do interesse pelo português com a independência de Timor-Leste.
A resposta a estas solicitações “passa pelo apoio à abertura de cursos de licenciatura em universidades australianas, tendo como principal objectivo a formação de professores e, ainda, o estabelecimento de protocolos com as autoridades australianas para a oferta do português no ensino secundário, no sentido, aliás dos programas locais de promoção do multilinguismo”, acrescenta.
Índia: aproveitar a dimensão geográfica
A escolha do outro pólo estratégico, representado pela Índia, “deriva do reconhecimento da sua dimensão geográfica e crescente importância nos sectores da investigação e das tecnologias”, refere o documento de orientação estratégica.
O texto destaca ainda “o particular contexto do Estado de Goa”, onde “tem aumentado o interesse pelo português”. Actualmente, a cooperação do IC se restringe às universidades de Nova Deli, Calcutá e Goa, e a cursos esporádicos em Damão e Diu, “sendo a maioria leccionados por professores locais”.
O documento aponta a “necessidade de programas de formação e elaboração de materiais didácticos, inclusive no Estado de Goa, onde a Fundação Oriente desenvolve um programa de apoio financeiro às escolas do ensino secundário que oferecem português” e de “uma boa articulação entre o Centro Cultural Português em Nova Deli e o Centro de Língua Portuguesa em Goa, enquanto pontos de uma estratégia irradiadora do português como língua de comunicação internacional na Índia».
O IC detém uma posição maioritária (51 por cento) no IPOR, sendo o restante capital pertença da Fundação Oriente (44 por cento) e de um conjunto de empresas portuguesas.
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