Quarta-feira, 28 de Julho de 2010

Timor-Leste: É preciso “tempo e pressão para atingir justiça”, diz historiador australiano

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LUSA- Paris, França 27/07/2010

Paris, 27 jul (Lusa) – Em Timor-Leste “será preciso uma combinação de tempo e de pressão” para se fazer justiça aos crimes do passado, afirmou hoje à agência Lusa um historiador australiano.

“Foi também assim que aconteceu na luta pela independência”, afirmou o historiador Clinton Fernandes, da Universidade de Nova Gales do Sul, em Sydney (Austrália), especialista na história de Timor-Leste no período da ocupação indonésia e na década posterior ao referendo de 1999.

Clinton Fernandes comentava a condenação por um tribunal em Phnom Penh, na segunda feira, de um antigo dirigente dos Khmer Vermelhos, no Camboja, a primeira de sempre proferida contra um responsável pelos crimes do regime de Pol Pot.

Reconhecendo que “não houve nenhum outro tribunal internacional na Ásia”, Clinton Fernandes considerou, porém, que “um futuro tribunal em Timor-Leste para crimes contra a humanidade não pode de maneira nenhuma repetir a experiência do Camboja”.

O tribunal que julga os crimes dos Khmer Vermelhos em Phnom Penh “envolveu interferência política do Governo cambojano, lutas intestinas entre os funcionários internacionais e nacionais, corrupção e ineficácia”, acusou o historiador australiano, entrevistado pela Lusa a partir de Paris.

Ao mesmo tempo, “a única novidade em termos legais do tribunal de Phnom Penh parece ser a aparência de um julgamento com ‘partes civis’, que solicitaram indemnizações e cujos advogados atuaram como magistrados adicionais”, afirmou também Clinton Fernandes.

“A luta por justiça não é uma competição entre indonésios e timorenses”, salientou o historiador.

“A luta é entre os que querem justiça e entre os que querem a continuação da impunidade”, explicou Clinton Fernandes, autor de várias obras sobre a ocupação e independência de Timor-Leste e conhecido militante da criação de uma instância que julgue os crimes cometidos no país desde 1975.

“Sou a favor de um tribunal penal internacional para os crimes contra a humanidade cometidos pelos militares indonésios”, sublinhou.

Em relação à política de reconciliação com a Indonésia seguida nos últimos anos pelas autoridades timorenses, Clinton Fernandes considera que “o Governo timorense acredita que não pode carregar sozinho um pesado fardo diplomático”.

“A tarefa que há pela frente é, por isso, a de criar as condições para um futuro governo timorense poder insistir no seu direito”, o que pode ser feito de forma “realista”, diz o especialista australiano.

O tribunal internacional em Phnom Penh condenou na segunda feira Kaing Guek Eav, ou “Duch”, de 67 anos, antigo responsável pelo cárcere central da capital durante o regime dos Khmer Vermelhos, o S21, a 35 anos de prisão “por assassínio, tortura e crimes contra a humanidade”.

O processo de “Duch”, polémico e laborioso, decorreu durante 77 sessões em tribunal, ao longo de mais de um ano. Cerca de 120 mil pessoas terão morrido na prisão S21, dos dois milhões de vítimas do regime de Pol Pot, entre 1975 e 1979.

PRM

+++ Este artigo foi elaborado com base no novo Acordo Ortográfico +++

Lusa/Fim
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1 comentários:

Joni Martin disse...

Aceito que a estabelecer um tribunal internacional sob o caso crimes gráves 1999 em Timor-Leste, é pricisa tempo atinguir esta ideia.
Porem, tem diferenciar crimes graves em Timor-Leste e Cambódia (Kmeer Vermelha). Primeiro, os planeadores e autores dos crimes gráves em TL não são timorenses (são generais indoésios, outra nacionalidade, mas o caso Cambódia, os autores são mesma nacionalidade como Kaing Guek Eav, ou “Duch". Segundo, Caso Cambódia seja uma regime de ditadura dentro do país (Khmer Vermelho), mas Timor-Leste era um impacto de uma ditadura de outro país como invasor ou ocupante. Por isso, não podemos conciderar caso Timor-Leste e Cambódia de Khmer Vermelho são mesmas. Seria possível o Professor Clinton Fernandes possa diferenciar os dois e deveria substanciar quais são estratégia que se necessita para alcançar um estabelecimento do tribunal internacional. E, é metodológicamente diferente com Cambódia.