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Por FÁTIMA ROBALO
Um assunto deveras preocupante continua latente em Timor Leste sem que vejamos manifestações de solidariedade e resolução efectiva por parte dos que dizem defender os interesses dos timorenses.
Os prejudicados chamam-se “Deslocados” ou, como optou a UNMIT por os classificar, IDPs (Internally Displaced Person), sendo correto ainda hoje continuar a considerá-los assim a esse grande número de famílias, e nunca ex-deslocados como agora podemos ler na imprensa timorense. É que imensos deslocados continuam a sê-lo por ainda não possuírem casa própria e terem-se abrigado em casas (?) de familiares e de amigos, muitas vezes construindo uma espelunca contígua à dos familiares e amigos, outras vezes nem isso. Parece que esta foi a melhor maneira encontrada pelos governantes e funcionários desonestos para mascarar como solucionada uma situação de inteira responsabilidade de bastantes que atualmente incorporam parte do governo em pleno gozo da impunidade que não deviam de ter.
Muitos timorenses jamais se acomodarão às injustiças que grassam pelo país, importa dar-lhes voz. Para isso aqui estou e manifesto a minha opinião e intolerância perante a ineficácia do judiciário em Timor Leste, comprovadamente propriedade do poder político vigente, como sempre acontece em sociedades subjugadas a ditadores declarados ou sob uma ténue capa democrática que se esvanece nas atitudes assumidas e praticadas. Dê por onde der, enquanto não existir em Timor Leste um poder judicial em exercício não temente ao poder político e arruaceiro vigente o país é falho de democracia e não se pode nem deve esperar mais e melhor participação do povo timorense, que se apercebe que os maus exemplos vêm exatamente da elite política detentora do poder.
Assassinatos e roubos (KKN) são quotidianamente apontados a elementos dessa mesma elite. São da voz do povo. A que preferem chamar rumores. Só o deixariam de ser se existisse justiça de facto e muitos dos que se encobrem nos “rumores” fossem devidamente investigados, julgados e encarcerados. Ao poder judicial em Timor Leste falta essa coragem, muitas vezes nem será por falta de coragem mas sim pelo simples facto de não quererem arriscar as suas sumptuosas remunerações e “atenções” dispensadas, de algum modo indevidas. Exemplos do afirmado não faltam. Um deles é o juiz presidente do Tribunal de Recurso (outros há), que é remunerado como internacional, como se não vivesse em Timor, não fosse timorense, e ali estivesse em missão… Outros há, mesmo no TR e restante aparelho de justiça (?).
O que pensar, o que dizer? Rumores? Quem não compreende as razões deste comprometimento? Quem duvida da prática de falta de transparência e de escrúpulos dos nacionais e internacionais que operam em instituições fundamentais do país? Quem, depois de saber e ver com seus próprios olhos a desonestidade implícita nestas atitudes e práticas, pode ignorar que o país está como está (mal) por ser refém de uma elite saqueadora que estende os seus tentáculos como se de corporação de malfeitores se trate?
Regressando aos “desalojados”, foi público que muitos ainda não receberam as indemnizações prometidas e que lhes possibilitaria enfrentar as dificuldades da vida de outro modo, mais capacitados. Manifestaram-se há dias em Díli cerca de 500 deslocados mas creiam que são muitos mais. Disseram os manifestantes que cerca de quatro anos volvidos de lhes terem destruído os seus parcos bens e ameaçado as suas vidas (a impunidade neste aspeto vai toda para os golpistas de 2006) este governo ainda não cumpriu o prometido. Indemnizá-los.
Percebeu-se que da parte do governo não houve capacidade para explicar cabalmente as razões da falta de cumprimento do prometido. Até percebemos que parece que essas verbas podem ter sido desviadas para usufrutos estranhos aos deslocados – se assim foi, quem beneficiou dessas verbas?
Não basta terem afirmado aos manifestantes que vão receber em breve as indemnizações para lhes aplacar a indignação. Importa que o façam mesmo e depressa, não só àqueles cerca de 500 mas a todos, porque há mais que ainda nada receberam, apesar de em documentos oficiais parecer o contrário. O que é legítimo perguntar é: se os beneficiários não receberam por onde andam essas verbas?
Diz-se que “a voz do povo é a voz de Deus” (the people's voice is the voice of God), também se diz que “Deus sabe de tudo” (God knows everything), e o governo de Gusmão saberá? Poderá explicar? E como explicará o Timor infecto que temos e que é em grande parte obra sua?
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Por FÁTIMA ROBALO
Um assunto deveras preocupante continua latente em Timor Leste sem que vejamos manifestações de solidariedade e resolução efectiva por parte dos que dizem defender os interesses dos timorenses.
Os prejudicados chamam-se “Deslocados” ou, como optou a UNMIT por os classificar, IDPs (Internally Displaced Person), sendo correto ainda hoje continuar a considerá-los assim a esse grande número de famílias, e nunca ex-deslocados como agora podemos ler na imprensa timorense. É que imensos deslocados continuam a sê-lo por ainda não possuírem casa própria e terem-se abrigado em casas (?) de familiares e de amigos, muitas vezes construindo uma espelunca contígua à dos familiares e amigos, outras vezes nem isso. Parece que esta foi a melhor maneira encontrada pelos governantes e funcionários desonestos para mascarar como solucionada uma situação de inteira responsabilidade de bastantes que atualmente incorporam parte do governo em pleno gozo da impunidade que não deviam de ter.
Muitos timorenses jamais se acomodarão às injustiças que grassam pelo país, importa dar-lhes voz. Para isso aqui estou e manifesto a minha opinião e intolerância perante a ineficácia do judiciário em Timor Leste, comprovadamente propriedade do poder político vigente, como sempre acontece em sociedades subjugadas a ditadores declarados ou sob uma ténue capa democrática que se esvanece nas atitudes assumidas e praticadas. Dê por onde der, enquanto não existir em Timor Leste um poder judicial em exercício não temente ao poder político e arruaceiro vigente o país é falho de democracia e não se pode nem deve esperar mais e melhor participação do povo timorense, que se apercebe que os maus exemplos vêm exatamente da elite política detentora do poder.
Assassinatos e roubos (KKN) são quotidianamente apontados a elementos dessa mesma elite. São da voz do povo. A que preferem chamar rumores. Só o deixariam de ser se existisse justiça de facto e muitos dos que se encobrem nos “rumores” fossem devidamente investigados, julgados e encarcerados. Ao poder judicial em Timor Leste falta essa coragem, muitas vezes nem será por falta de coragem mas sim pelo simples facto de não quererem arriscar as suas sumptuosas remunerações e “atenções” dispensadas, de algum modo indevidas. Exemplos do afirmado não faltam. Um deles é o juiz presidente do Tribunal de Recurso (outros há), que é remunerado como internacional, como se não vivesse em Timor, não fosse timorense, e ali estivesse em missão… Outros há, mesmo no TR e restante aparelho de justiça (?).
O que pensar, o que dizer? Rumores? Quem não compreende as razões deste comprometimento? Quem duvida da prática de falta de transparência e de escrúpulos dos nacionais e internacionais que operam em instituições fundamentais do país? Quem, depois de saber e ver com seus próprios olhos a desonestidade implícita nestas atitudes e práticas, pode ignorar que o país está como está (mal) por ser refém de uma elite saqueadora que estende os seus tentáculos como se de corporação de malfeitores se trate?
Regressando aos “desalojados”, foi público que muitos ainda não receberam as indemnizações prometidas e que lhes possibilitaria enfrentar as dificuldades da vida de outro modo, mais capacitados. Manifestaram-se há dias em Díli cerca de 500 deslocados mas creiam que são muitos mais. Disseram os manifestantes que cerca de quatro anos volvidos de lhes terem destruído os seus parcos bens e ameaçado as suas vidas (a impunidade neste aspeto vai toda para os golpistas de 2006) este governo ainda não cumpriu o prometido. Indemnizá-los.
Percebeu-se que da parte do governo não houve capacidade para explicar cabalmente as razões da falta de cumprimento do prometido. Até percebemos que parece que essas verbas podem ter sido desviadas para usufrutos estranhos aos deslocados – se assim foi, quem beneficiou dessas verbas?
Não basta terem afirmado aos manifestantes que vão receber em breve as indemnizações para lhes aplacar a indignação. Importa que o façam mesmo e depressa, não só àqueles cerca de 500 mas a todos, porque há mais que ainda nada receberam, apesar de em documentos oficiais parecer o contrário. O que é legítimo perguntar é: se os beneficiários não receberam por onde andam essas verbas?
Diz-se que “a voz do povo é a voz de Deus” (the people's voice is the voice of God), também se diz que “Deus sabe de tudo” (God knows everything), e o governo de Gusmão saberá? Poderá explicar? E como explicará o Timor infecto que temos e que é em grande parte obra sua?
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