Sexta-feira, 23 de Julho de 2010

EUA VÃO VOLTAR A APOIAR CORPO DE ELITE INDONÉSIO

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Jornal da Madeira- 2010-07-23

O secretário norte-americano da Defesa, Robert Gates, anunciou ontem que os Estados Unidos da América (EUA) vão retomar a cooperação com a unidade de elite Kopassus, suspensa há 10 anos por violações dos direitos humanos, nomeadamente em Timor-Leste.

Robert Gates, que se encontra de visita a Jacarta, fez o anúncio aos jornalistas após ter sido recebido pelo Presidente indonésio Susilo Bambang Yudhoyono.

Robert Gates adiantou que o apoio americano àquela força especial indonésia será feito gradualmente e não abrangerá a formação à unidade de elite, cuja possibilidade foi contestada nos EUA, quando se perspetivou a visita do Presidente Barack Obama a Jacarta.

Em 1997, os EUA aprovaram a “Lei Leahy”, que proíbe a formação de militares de unidades envolvidas em violações dos Direitos Humanos. Em Jacarta, o secretário de Estado da Segurança apressou-se a esclarecer que o restabelecimento da colaboração com a Kopassus será feito respeitando as leis americanas e não abrange a formação da unidade de elite.

Em julho de 2009, a administração Obama foi confrontada com um abaixo-assinado dinamizado pela ETAN, uma rede ativista dos Direitos Humanos em Timor-Leste e na Indonésia, que foi subscrito por mais de 50 organizações norte-americanas, no sentido de proibir “qualquer tipo de cooperação ou assistência às Forças Especiais Indonésias”.

No documento, enviado a Barak Obama, Hillary Clinton e elementos do Congresso, salienta-se que muitos dos responsáveis por violações dos direitos humanos em Timor-Leste, no Aceh e na Papua Ocidental, durante a ditadura de Shuarto, “continuam a gozar de impunidade, mesmo com a democratização da Indonésia”.

Na própria Indonésia, Usman Hamid, que lidera uma organização não governamental dedicada a pessoas desaparecidas e vítimas de violência, defendeu que qualquer aproximação com a Kopassus devia ser antecedida da expulsão dos militares implicados nesses crimes.

Robert Gates, ciente dessas posições, salientou a “crescente profissionalização do exército indonésio” e ações recentes do Ministério da Defesa, no que respeita aos direitos humanos.
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