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TOM ALLARD, DÍLI 10 de julho de 2010 - Brisbane Times - Tradução de ZIZI TIMOR OAN
MÁRIO PEREIRA DE JESUS passou 25 anos nas montanhas a lutar pela independência de Timor Leste, suportando as privações extremas de uma guerrilha perseguida, a dor de um queixo partido por uma bala Indonésia.
Pergunte-lhe se valeu a pena, e o pai de de oito filhos e avô de três de 63 anos de idade, tem as suas dúvidas.
''Eu sou um veterano, mas o governo não presta nenhuma atenção a mim. A minha vida é muito difícil'', diz ele, sentando-se frente da sua casa modesta de dois quartos na aldeia de Tibar, a 15 quilometres de Díli. ''Estamos tão amontoados aqui. Os meus filhos e eu, nós dormimos como porcos.''
A pensão prometida pelo governo não se concretizou e nenhum dos seus filhos tem emprego ou pode pagar os livros, uniformes e transporte para ir para o liceu.
O Sr. Pereira de Jesus diz que a sua família sobrevive com uma refeição por dia. ''Para o pequeno-almoço é café. Nós comemos na hora do almoço, mas não temos jantar - talvez um pouco de água e depois vamos dormir.''A casa, como todas as da aldeia, não tem eletricidade e a água é má.
As suas circunstâncias explicam o porquê de tantos timorenses terem ficado horrorizados com a sugestão de um centro de processamento de refugiados no seu território.
Apesar do humanitarismo estar consagrado na Constituição de Timor Leste e o seu povo ter uma afinidade com aqueles que fogem de perseguições, depois do seu sofrimento durante a ocupação Indonésia, o país tem problemas muito maiores para resolver.
Estes incluem a pobreza, desemprego e a falta de serviços básicos. E o plano do centro de refugiados, provavelmente, iria causar ressentimento generalizado entre os cidadãos menos afortunados.
''Eu acho que a questão do barco é importante para a Austrália, mas seria melhor se dessem o dinheiro para o povo timorense,''disse o senhor Pereira de Jesus.
Timor Leste tem dificuldade em fornecer alojamento adequado para os refugiados do seu próprio país, os restantes dos 150.000 pessoas que perderam as suas casas durante o conflito civil mortífero em 2006, quando os clãs do leste e do oeste do país colidiram violentamente.
Alguns dos piores combates foram em Becora, na periferia de Díli, onde quase todas as casas foram completamente queimadas. Algumas habitações básicas foram aí construídas.
Mas muitos ainda vivem em tendas com a insígnia da Organização Internacional para as Migrações, que iria gerir em parte qualquer nova instalação de refugiados em Timor Leste.
Martino Cosme Pinto de 53 anos, disse que poderia haver tumulto se os requerentes de asilo provenientes de países como o Afeganistão e o Sri Lanka fossem alojados em instalações modernas e com acesso gratuito a centros médicos e escolas.
''Algumas pessoas neste país irão ter ressentimentos quando assistirem a uma situação como esta'', disse.
''Pode haver grandes problemas, especialmente se o governo não reconhecer a situação difícil que temos aqui.''
Fonte: The Sydney Morning Herald
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TOM ALLARD, DÍLI 10 de julho de 2010 - Brisbane Times - Tradução de ZIZI TIMOR OAN
MÁRIO PEREIRA DE JESUS passou 25 anos nas montanhas a lutar pela independência de Timor Leste, suportando as privações extremas de uma guerrilha perseguida, a dor de um queixo partido por uma bala Indonésia.
Pergunte-lhe se valeu a pena, e o pai de de oito filhos e avô de três de 63 anos de idade, tem as suas dúvidas.
''Eu sou um veterano, mas o governo não presta nenhuma atenção a mim. A minha vida é muito difícil'', diz ele, sentando-se frente da sua casa modesta de dois quartos na aldeia de Tibar, a 15 quilometres de Díli. ''Estamos tão amontoados aqui. Os meus filhos e eu, nós dormimos como porcos.''
A pensão prometida pelo governo não se concretizou e nenhum dos seus filhos tem emprego ou pode pagar os livros, uniformes e transporte para ir para o liceu.
O Sr. Pereira de Jesus diz que a sua família sobrevive com uma refeição por dia. ''Para o pequeno-almoço é café. Nós comemos na hora do almoço, mas não temos jantar - talvez um pouco de água e depois vamos dormir.''A casa, como todas as da aldeia, não tem eletricidade e a água é má.
As suas circunstâncias explicam o porquê de tantos timorenses terem ficado horrorizados com a sugestão de um centro de processamento de refugiados no seu território.
Apesar do humanitarismo estar consagrado na Constituição de Timor Leste e o seu povo ter uma afinidade com aqueles que fogem de perseguições, depois do seu sofrimento durante a ocupação Indonésia, o país tem problemas muito maiores para resolver.
Estes incluem a pobreza, desemprego e a falta de serviços básicos. E o plano do centro de refugiados, provavelmente, iria causar ressentimento generalizado entre os cidadãos menos afortunados.
''Eu acho que a questão do barco é importante para a Austrália, mas seria melhor se dessem o dinheiro para o povo timorense,''disse o senhor Pereira de Jesus.
Timor Leste tem dificuldade em fornecer alojamento adequado para os refugiados do seu próprio país, os restantes dos 150.000 pessoas que perderam as suas casas durante o conflito civil mortífero em 2006, quando os clãs do leste e do oeste do país colidiram violentamente.
Alguns dos piores combates foram em Becora, na periferia de Díli, onde quase todas as casas foram completamente queimadas. Algumas habitações básicas foram aí construídas.
Mas muitos ainda vivem em tendas com a insígnia da Organização Internacional para as Migrações, que iria gerir em parte qualquer nova instalação de refugiados em Timor Leste.
Martino Cosme Pinto de 53 anos, disse que poderia haver tumulto se os requerentes de asilo provenientes de países como o Afeganistão e o Sri Lanka fossem alojados em instalações modernas e com acesso gratuito a centros médicos e escolas.
''Algumas pessoas neste país irão ter ressentimentos quando assistirem a uma situação como esta'', disse.
''Pode haver grandes problemas, especialmente se o governo não reconhecer a situação difícil que temos aqui.''
Fonte: The Sydney Morning Herald
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