Sábado, 5 de Junho de 2010

Timor acusa Woodside de manipulação sobre custos da exploração de gás

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OJE/LUSA-04/06/10

O porta-voz do governo de Timor-leste desmentiu hoje que o processamento em terra do gás natural do campo "Greater Sunrise" seja cinco mil milhões de dólares mais caro do que numa plataforma flutuante.

Ágio Pereira, que é também secretário de Estado do Conselho de Ministros timorense, reagiu a declarações nesse sentido feitas por Don Voelte, presidente da petrolífera Woodside, classificando-as de "incompletas e enganosas".

"São declarações incompletas e enganosas quanto à economia das outras opções, que consequentemente, também não foi abordada nos relatórios exigidos pelos reguladores, ao abrigo do contrato de partilha, e visam apenas dar justificação à preferência da Woodside", criticou.

Para o porta-voz do governo de Timor-Leste, o presidente da Woodside manipulou os dados na informação que prestou numa conferência sobre recursos realizada em Sidney, reportada na imprensa australiana.

"Nas afirmações do presidente da Woodside apenas são referidos os custos de capital iniciais. Don Voelte omitiu os custos operacionais ao longo da vida do projecto, juntamente com fiscais", comentou.

Segundo Ágio Pereira, a comparação entre os regimes fiscais demonstra que a unidade de processamento de gás natural em Timor-Leste é a opção economicamente mais atraente e a que oferece maior taxa de retorno comercial, com uma taxa de imposto aplicável de 10%, além de encargos salariais mais reduzidos e menores custos de manutenção.

O representante do governo timorense considera ainda "uma alegação absurda" a Woodside continuar a manter que tenha apresentado o plano e cumprido com todas as obrigações decorrentes dos tratados para com os reguladores.

Ágio Pereira lembrou que "no início a Woodside, declarou que a opção de Timor-Leste não era tecnicamente viável devido à existência de uma fossa oceânica, o que foi contestado pelo governo de Timor-Leste após encomendar um estudo batimétrico abrangente, realizado no Mar de Timor".

"Agora eles já reconhecem que o plano de processar o gás em Timor é tecnicamente viável, mas ainda não apresentaram à Autoridade Nacional de Petróleo a proposta de uma unidade de processamento do gás em Timor-Leste como conceito autónomo, conforme é necessário", esclareceu.

O porta-voz do governo timorense deixou a advertência de que se o desenvolvimento do plano não for aprovado até 2013 o actual tratado pode ser cancelado e suspensa a actividade no campo Greater Sunrise, até novo tratado ser negociado entre a Austrália e Timor-Leste.

"Timor-Leste tem conhecimentos, competências, apoio internacional e tempo para garantir um resultado justo", conclui Ágio Pereira, contrapondo à revelação de Don Voelte de que Timor-Leste irá receber 13 mil milhões de dólares em receita ao longo da vida do projecto, caso avance a plataforma flutuante, com benefícios económicos em terra estimados que podem ser 13 vezes superiores, como aconteceu com Darwin, a partir de Bayu Undan, o outro campo de exploração conjunta com a Austrália.
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