Quinta-feira, 3 de Junho de 2010

MILITARES INDONÉSIOS DESTRUIRAM CASAS EM OECUSSE

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SIC – Lusa – 03 junho 2010

A região autónoma timorense de Oecusse pediu ao Governo um reforço policial após a destruição de duas casas por militares indonésios, mas o secretário de Estado da Segurança quer evitar confrontos e considera desaconselhável enviar mais polícias.

O secretário Estado da Segurança, Francisco Guterres, disse hoje à Lusa que não concorda com o reforço policial na zona, embora reconheça que elementos das forças indonésias violaram o acordo entre os dois países sobre a demarcação das fronteiras.

"Em relação a este incidente não é preciso adicionar mais elementos da nossa polícia na área de Naktuka, porque é preciso evitar um confronto de armas entre dois países", justificou.

"Tive conhecimento do incidente em Naktuka pelos factos narrados pela Polícia Nacional e de imediato contactei o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros para transmitir o nosso protesto ao ministro das Relações Exteriores da Indonésia", disse.

Francisco Guterres revelou que vai ser feito um protesto formal junto da Embaixada da Indonésia em Timor-Leste "contra os militares indonésios que violam a fronteira e praticaram o crime na área de Naktuka, no distrito de Oecusse".

"As coisas que aconteceram em Oecusse são uma ação militar que é uma violação da boa relação entre os dois países", lamentou.

Jorge da Conceição Teme, secretário da Região Autónoma Especial Oecusse, disse à Lusa que cerca de 24 elementos das forças indonésias entraram no passado dia 28 em Naktuka e destruíram duas casas sociais que dias antes haviam sido entregues a desalojados por desastres naturais.

Jorge Teme acrescentou que não é a primeira vez que se registam incursões do género, "o que cria um clima de terror para o povo de Timor-Leste que vive naquela área".

"Já falei com o comandante da Polícia Nacional de Timor-Leste, comissário Longuinhos Monteiro, e também com o secretário de Estado de Defesa, porque a população precisa de segurança e de quem a defenda. É preciso defender a sua dignidade, porque o nosso povo está a viver na área que lhe pertence", disse.

A Indonésia considera Naktuka uma área de disputa, o que significa que nenhum dos dois países pode ocupá-la até haver acordo quanto à delimitação da fronteira, mas Timor-Leste entende que faz parte do seu território, por estar dentro dos pilares de delimitação estabelecidos por Portugal e pela Holanda em 1912.

"A área de Naktuka é parte de Timor-Leste e o nosso povo vive lá há muito tempo. Desde há várias gerações que a nossa gente tem ali plantado árvores, como coqueiros e bananeiras, e também cultivam o milho e outras culturas", esclareceu Jorge Teme.

O representante da região autónoma de Timor-Leste afirma que "a reclamação da Indonésia é ilegal".

Jorge Teme disse ainda que já insistiu com o ministro dos Negócios Estrangeiros timorense para intensificar a negociação bilateral sobre a demarcação de fronteiras, de modo a que o povo que vive em Naktuka não continue a ser prejudicado por esse tipo de incidentes.

(Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico)
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