Quarta-feira, 30 de Junho de 2010

10 anos depois – DEITAR CONTAS À VIDA - 1

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Por ANA LORO METAN,em Timor Lorosae Nação

Introdução

O patamar de liberdade, justiça e democracia - paz, pão, educação, saúde, habitação - que já deviamos ter atingido está muito aquém das nossas perspectivas e dos povos do mundo que nos têm apoiado. Timor-Leste está a ser ocupado por novo tipo de invasores, os supostos cooperantes-vampirescos da ONU e uma "raça superior" da elite que nos está a expropriar em seu benefício e que é dominada pelos políticos que são e têm sido detentores do poder, consentidos por uma pseudo oposição que mais não tem feito que estar anémica no essencial e mostrar-se combativa no supérfluo. Temente a quem e porquê?

1999 – LONGO CAMINHO A PERCORRER

Expressámos o ditame da nossa sentença sobre a criminosa invasão e ocupação fascista do regime de Suharto em 1999 quando fomos chamados a pronunciar-nos sobre se queríamos continuar sob o jugo assassino indonésio.

O referendo patrocinado pela ONU não respeitou o princípio dos Direitos Humanos que deixa evidente que nunca se pergunta a um escravo ou a um povo de um país invadido e que viu quase um terço dos seus cidadãos assassinados pelos militares indonésios, se quer ser libertado. Tivemos por isso de sujeitarmo-nos a um referendo que não devia ter tido lugar, tivemos posteriormente de ser durante mais uns tempos considerados ainda uma província ultramarina administrada por Portugal e depois pela ONU, quando nada disso devia de ter acontecido.

Timor-Leste declarou a independência em 1975. Foi unilateralmente, muito bem. Então em 1999 o que havia a fazer seria Portugal reconhecer essa independência, outros países também assim como a ONU. Mas não, tivemos de suportar os métodos dos burocratas, dos ditadores de regras segundo suas conveniências e vantagens, com vista a fazerem-se necessários e assim garantirem a extorsão de quantias que passam a engordar as suas contas bancárias. Isso é o que se vê acontecer (ainda?) em Timor-Leste e noutros países onde a corja dos abençoados da ONU e do Banco Mundial, de outras organizações parasitárias encostadas à ONU, sempre que intervêm. São milhões e milhões esbanjados e sacados aos cidadãos do mundo sob o pretexto de bem-fazer e proteger. As fortunas realizadas jamais refletem o bem produzido e a panóplia dos Ónus e demais interligados que assumem contornos de novos invasores, de novos parasitas, de seres contaminados por um egoísmo e uma falsidade atroz, que mal disfarçam com as suas palavras e atitudes públicas hipócritas.

Mas, enfim, dez anos volvidos, podemos dizer que somos, em Timor-Leste, parcialmente independentes.

As palavras anteriores não significam ofensa para aqueles que tiverem a consciência tranquila, sabemos de alguns, por tal que se façam à vontade ofendidos os que da ONU nos têm complicado a vida. Nomeio dois dos principais responsáveis: Sukehiro Hasegawa e Atul Kahre. Todos os outros são folclore, por entender que foram estes os que representavam os Secretários-Gerais da ONU, primeiro Kofi Hanan e depois, agora, Ban Ki-moon. Se eventualmente alegarem que simplesmente recebem ordens, como Hasegawa o fez, então devemos dizer que também Kofi teve bastantes responsabilidades nos erros cometidos por estes novos invasores de Timor-Leste. Erros que se irão reflectir por muitos anos, por gerações ou até para sempre. Porém a eles mal algum lhes acontece e se fossemos indagar das suas fortunas, realizadas à custa do mal dos outros, decerto que muitos de nós ficaríamos corados de indignação. Se tudo não é um negócio…

Passou 1999, ano de mais chacinas. Em 2000 começou de facto os tempos de reconstrução. Sérgio Vieira de Melo, homem honesto, demonstrou ser um bom amigo de Timor-Leste. Apesar de muitos dos parasitas que o rodeavam começámos a ver resultados de medidas por si dirigidas democraticamente e com sabedoria. Um homem honesto, rodeado de parasitas, de falsários, tem sempre de esperar ser aniquilado. Foi o que aconteceu a Sérgio pouco depois de ter chegado ao Iraque. Porquê ele? Por ser honesto e desviado da podridão que assola os burocratas e demais panóplia da ONU? Por não haver resposta cabal para as interrogações prevalecerá sempre a dúvida, a insatisfação e as suspeitas.

Em Timor-Leste, no período entre 2000 e 2002, prevaleceu o sentimento de que a impunidade dos crimes praticados em 1999 pelos assassinos indonésios e das milícias contratadas pelos generais era um facto e que jamais seriam chamados a responsabilidades de modo justo. Assim aconteceu. Pior ainda por percebermos a falta de vontade da ONU e dos políticos timorenses no sentido de que fosse feita justiça. Foi uma atitude relevante que voltaremos a abordar.

* Primeiro exemplar de uma colectânea de textos que abordam em retrospectiva e até ao presente acontecimentos e considerações dos dez anos de libertação do jugo dos invasores e assassinos do exército indonésio.
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