Sexta-feira, 21 de Maio de 2010

Timor quer atrair empresas de turismo e dos cimentos

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DN ECONOMIA-Por CATARINA CRISTÃO-21 de abril 2010

O ministro do Turismo, Comércio e Indústria de Timor-Leste, Gil Alves, está em Portugal, em visita oficial de 15 dias, para chamar as empresas portuguesas a investir na antiga colónia portuguesa. Foi com esse objectivo que esteve no seminário " Oportunidades de Negócio em Timor-Leste", organizado pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).

"Somos um país com todos os sectores por explorar. Há muitas oportunidades de negócio em Timor e oferecemos condições de investimento e segurança", afiançou Gil Alves ao DN, salientando que o crescimento económico do seu país continua nos dois dígitos. "O mercado conseguiu criar a sua própria dinâmica, goza de boa saúde e tem muito dinheiro a rodar. O empresário quer é lucro e nós estamos a dar grande lucro aos que já lá investiram. Mas, em troca, também queremos bons serviços", contrapõe.

Gil Alves esteve no Algarve e no Alentejo nos últimos dois dias, onde se reuniu com a direcção de diversas empresas. O objectivo foi levar para Timor, entre outras, empresas de extracção de mármore, cimenteiras, cervejeiras, calçado, restauração e hotelaria. "Timor precisa de hotéis de 4 e 5 estrelas, mais restaurantes e centros comerciais", diz o ministro, acrescentando: "Somos um destino de sol e mar, mas também de turismo da natureza. Queremos promover o nosso país ao turista europeu. Portugal podia servir de ponte para essa divulgação na Europa, como Timor-Leste serviria de porta de promoção do turismo português."

Não só no turismo mas também na entrada de produtos portugueses no mercado asiático. "O vinho português é um exemplo. É muito apreciado lá, mas está a perder terreno para a produção vinícola de outros países porque não está a aproveitar bem o mercado", alertou o governante, assegurando que o Governo está a elaborar uma nova lei para desburocratizar o investimento externo.

"Encorajador", disse Gil Alves, foi o encontro que teve com o homólogo português, José António Vieira da Silva. Em cima da mesa ficou a possibilidade de assinarem um acordo estratégico já em Agosto. "Vamos reunir equipas e elaborar um plano concreto para projectar Portugal e Timor na exploração dos mercados ao redor de cada um", sublinhou.

Em Agosto, Gil Alves espera receber também um grupo de 30 empresários madeirenses com quem contactou na visita que fez à ilha na semana passada. "Fizemos muitos contactos e fomos buscar referências a várias áreas, da indústria ao turismo, e como introduzir as estruturas básicas para desenvolver a região", sublinha.

Gil Alves compara a Madeira a Timor-Leste na sua geografia e diz que é uma referência. "É um exemplo do qual nos podemos servir para implementar em Timor. Nós sentimos hoje as mesmas dificuldades que a Madeira atravessou há 30 anos", diz. "Pretendemos aproveitar o know--how técnico e de planeamento que os técnicos adquiriram durante estes últimos anos e aplicá-lo à realidade timorense", diz Gil Alves, que pondera mesmo contratar alguns técnicos madeirenses.

"Somos um país novo e por isso precisamos ainda das bases para um desenvolvimento económico harmonioso. Primeiro temos de estar virados para o desenvolvimento de infra-estruturas, como estradas e pontes, capazes de potenciarem o desenvolvimento de outros sectores, como o turismo, comércio e indústria", sustenta ainda Júlio Alfaro, presidente da recém-criada Câmara de Comércio e Indústria de Timor-Leste.
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