Sábado, 1 de Maio de 2010

Presidente aguarda todas as informações do Governo sobre gás de Sunrise

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NOTÍCIAS LUSÓFONAS- 1-May-2010

O Presidente de Timor-Leste, Ramos-Horta, afirmou hoje que só tomará uma posição sobre a questão da exploração do gás de Sunrise depois de o Governo lhe passar “todas as informações” sobre o assunto, o que tem recusado fazer.

A empresa australiana Woodside anunciou na quinta-feira a escolha da construção de uma plataforma flutuante para processar o gás natural extraído do campo Sunrise, no Mar de Timor, em detrimento de o fazer em Timor-Leste, encaminhando-o por um pipeline, como pretendia o Governo timorense.

O Governo de Timor-Leste reagiu ao anúncio, em comunicado, afirmando que não dá o seu aval a essa solução, “agora e no futuro”, e lembrou que o processo terá de ser aprovado pelos governos de Timor e da Austrália, de acordo com o Tratado Petrolífero que rege o campo de Sunrice.

Questionado hoje pela Lusa à chegada a Díli, após uma viagem por vários países asiáticos, Ramos-Horta disse que pretende estudar o assunto antes de se pronunciar e revelou que pediu já várias vezes ao primeiro-ministro, sem sucesso, o estudo que a empresa Petronas terá feito sobre a viabilidade de um gasoduto para Timor-Leste.

“Eu disse perentoriamente ao primeiro-ministro que não papagueio todas as posições do Governo, nessa e noutras matérias. Pedi já duas vezes ao primeiro-ministro o estudo alegadamente feito pela Petronas, mas até agora o secretário de Estado dos Recursos Naturais e os seus super técnicos não encontraram tempo para partilhar esse estudo com o Presidente da República”, lamentou.

Ramos-Horta salientou que o Governo “deve estar equipado seriamente nessa matéria e não se podem tomar decisões com demagogia e com retórica": "Não é uma decisão meramente política: é uma decisão técnica e comercial”.

“Até hoje não recebi o estudo encomendado pelo Governo já há dois anos, com vista a dar todas as informações técnicas sobre a possibilidade, ou não, de se ser estabelecido o gasoduto para Timor-Leste e de avaliação da sua viabilidade comercial", insistiu.

Afirmando não se poder pronunciar sobre se concorda com a escolha da Woodside, ou com a rejeição governamental, Ramos-Horta disse que apenas tomará uma posição pública definitiva depois de estar na posse de todas as informações relevantes.

“O Presidente da República quer estudar esta questão, que não pode ser só do Governo, ou apenas de alguns elementos do Governo, porque nem sequer sei se essa matéria foi debatida ao nível do Conselho de Ministros”, criticou.

Segundo algumas estimativas, o campo de Bayu Undan possui reservas de cerca de 175 milhões de gás de petróleo liquefeito (LPG) 229 milhões de barris de crude e 66 milhões de toneladas de gás natural (LNG), equivalendo a 1,05 mil milhões de barris de petróleo.

O Sunrice, que agora está no centro da polémica, terá praticamente o dobro e está pronto a ser explorado: 300 milhões de barris de condensado e 177 milhões de toneladas de LNG, correspondentes a 2,05 mil milhões de barris de petróleo.

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