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JORNAL DIGITAL-2010-05-18 19:59:57
Díli - O relançamento do debate sobre o papel da língua portuguesa em Timor-Leste permitiu nas últimas semanas a recolha de diferentes contributos que colocam o papel fundamental da língua como factor de construção de uma identidade nacional.
Em Timor-Leste, dez anos depois da Independência, convivem hoje duas realidades linguísticas no que diz respeito aos idiomas oficiais do país. De um lado, o Tétum falado pela larga maioria da população. Do outro, o Português, ligado sobretudo às elites políticas e culturais. Pelo meio, as influências anglo-saxónicas e o bahasa contribuem para este avolumar deste complexo panorama linguístico timorense.
Prova desta confluência linguística em Timor é o facto da língua franca nacional, o Tétum Praça, ter uma clara influência «lusificada», como refere Ken Westmoreland. O linguista refere mesmo que o que se considera serem 15 dialectos de Tétum espalhados pelo país são na verdade «línguas tão diferentes uma da outra como o inglês, o português e o finlandês».
Isabel Feijó, Membro de uma missão do PNUD de avaliação da situação linguística na Administração Pública em Timor-Leste entre Outubro e Dezembro de 2008, em e-mail endereçado à redacção da PNN e entretanto divulgado na íntegra em vários blogs timorenses, defende que a especificidade linguística timorense, entre o Tétum e o Português, é o «reflexo da cultura híbrida leste-timorense, onde se misturam elementos indígenas e latinos numa síntese que é elemento essencial da identidade de Timor-Leste».
Na actual questão linguística timorense o que está também em causa é sobretudo a estratégia de ensino nas escolas timorenses. Se é um facto que a maioria das crianças timorenses quando entram para a escola não apresentam fluência no Português, foi recentemente reconhecido por Kirsty Sword-Gusmão, em entrevista à cadeia australiana ABC que «a população timorense tem uma capacidade tremenda para adquirir outras línguas. É uma sociedade poliglota». A responsável pela equipa de trabalho do Conselho Nacional da Educação, constituído por representantes do Ministério da Educação, sociedade civil, instituições ligadas ao ensino e Igreja Católica, tem, segundo Isabel Feijó «defendido a promoção da utilização correcta do Tétum, nomeadamente recorrendo ao padrão ortográfico conhecido como ‘tetun ofisial’ que foi desenvolvido pelo Instituto Nacional de Linguística».
Mas se as palavras indicam uma atitude de defesa da cultura linguística timorense, a verdade é que Kirsty Sword-Gusmão tem também os seus críticos que lhe apontam a defesa do tétum como forma de ataque ao português. António Veríssimo, no blog TimorLorosaeNação, aponta a existência de «reuniões na Austrália com elementos do Grupo de Trabalho» da CNE, chegando mesmo a acusar Kirsty Sword Gusmão de ser a principal «dinamizadora» de movimentos «secretos» com vista ao afastamento do português como língua oficial de Timor-Leste.
Kirsty Sword-Gusmão é uma acérrima defensora do Tétum. Na referida entrevista à ABC, Kirsty defendeu as suas posições dizendo «this is not an anti-Portuguese initiative» (isto não é uma iniciativa anti-Portuguesa). Mas a decisão de retirar os seus filhos da Escola Portuguesa de Díli indicam uma outra posição não tão conciliadora por parte da esposa do Primeiro Ministro Xanana Gusmão, figura histórica da Liberdade e da própria identidade Timorense.
(c) PNN Portuguese News Network
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JORNAL DIGITAL-2010-05-18 19:59:57
Díli - O relançamento do debate sobre o papel da língua portuguesa em Timor-Leste permitiu nas últimas semanas a recolha de diferentes contributos que colocam o papel fundamental da língua como factor de construção de uma identidade nacional.
Em Timor-Leste, dez anos depois da Independência, convivem hoje duas realidades linguísticas no que diz respeito aos idiomas oficiais do país. De um lado, o Tétum falado pela larga maioria da população. Do outro, o Português, ligado sobretudo às elites políticas e culturais. Pelo meio, as influências anglo-saxónicas e o bahasa contribuem para este avolumar deste complexo panorama linguístico timorense.
Prova desta confluência linguística em Timor é o facto da língua franca nacional, o Tétum Praça, ter uma clara influência «lusificada», como refere Ken Westmoreland. O linguista refere mesmo que o que se considera serem 15 dialectos de Tétum espalhados pelo país são na verdade «línguas tão diferentes uma da outra como o inglês, o português e o finlandês».
Isabel Feijó, Membro de uma missão do PNUD de avaliação da situação linguística na Administração Pública em Timor-Leste entre Outubro e Dezembro de 2008, em e-mail endereçado à redacção da PNN e entretanto divulgado na íntegra em vários blogs timorenses, defende que a especificidade linguística timorense, entre o Tétum e o Português, é o «reflexo da cultura híbrida leste-timorense, onde se misturam elementos indígenas e latinos numa síntese que é elemento essencial da identidade de Timor-Leste».
Na actual questão linguística timorense o que está também em causa é sobretudo a estratégia de ensino nas escolas timorenses. Se é um facto que a maioria das crianças timorenses quando entram para a escola não apresentam fluência no Português, foi recentemente reconhecido por Kirsty Sword-Gusmão, em entrevista à cadeia australiana ABC que «a população timorense tem uma capacidade tremenda para adquirir outras línguas. É uma sociedade poliglota». A responsável pela equipa de trabalho do Conselho Nacional da Educação, constituído por representantes do Ministério da Educação, sociedade civil, instituições ligadas ao ensino e Igreja Católica, tem, segundo Isabel Feijó «defendido a promoção da utilização correcta do Tétum, nomeadamente recorrendo ao padrão ortográfico conhecido como ‘tetun ofisial’ que foi desenvolvido pelo Instituto Nacional de Linguística».
Mas se as palavras indicam uma atitude de defesa da cultura linguística timorense, a verdade é que Kirsty Sword-Gusmão tem também os seus críticos que lhe apontam a defesa do tétum como forma de ataque ao português. António Veríssimo, no blog TimorLorosaeNação, aponta a existência de «reuniões na Austrália com elementos do Grupo de Trabalho» da CNE, chegando mesmo a acusar Kirsty Sword Gusmão de ser a principal «dinamizadora» de movimentos «secretos» com vista ao afastamento do português como língua oficial de Timor-Leste.
Kirsty Sword-Gusmão é uma acérrima defensora do Tétum. Na referida entrevista à ABC, Kirsty defendeu as suas posições dizendo «this is not an anti-Portuguese initiative» (isto não é uma iniciativa anti-Portuguesa). Mas a decisão de retirar os seus filhos da Escola Portuguesa de Díli indicam uma outra posição não tão conciliadora por parte da esposa do Primeiro Ministro Xanana Gusmão, figura histórica da Liberdade e da própria identidade Timorense.
(c) PNN Portuguese News Network
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