Sexta-feira, 21 de Maio de 2010

Chefe de Estado adverte políticos de que devem conter discursos inflamados

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NOTÍCIAS LUSÓFONAS-20-May-2010

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, disse hoje que a segurança do país “depende sobretudo da classe política, que tem de ser mais prudente nos seus discursos inflamatórios”.

Em declarações aos jornalistas à margem das comemorações do oitavo aniversário da restauração da independência,

Ramos-Horta apontou como uma das prioridades da jovem nação consolidar a segurança, responsabilizando alguns políticos por focos de instabilidade.

“A segurança não depende apenas do policiamento, mas sobretudo da classe política e da elite social que tem de ser mais prudente nos seus discursos”, disse.

“Instigam os seus adeptos uns contra os outros. Alguns políticos têm aprendido e outros não. Continuam com esses discursos inflamatórios, mas, felizmente, ao contrário de certos líderes, o povo é mais prudente e, com a sua sabedoria, sabe-os punir nos actos eleitorais”, comentou.

Ramos-Horta não deixou de assinalar que a segurança melhorou, com poucos incidentes graves e a criminalidade baixa, mas observou que não se pode ainda dizer que esteja consolidada.

“Enquanto não tivermos uma força policial totalmente profissionalizada e de confiança no seu comportamento é difícil dizer que está consolidada”, disse.

Segundo o Presidente da República, ao fim de oito anos, os desafios que Timor-Leste enfrenta “continuam os de sempre: a luta contra a extrema pobreza, a redução do desemprego e maior apoio à Educação”.

“Temos uma população bastante jovem e numerosa, com crescimentos demográficos dos mais elevados do mundo, e isso significa que é preciso maior investimento na Educação, na Saúde e nas infraestruturas”, referiu.

“Dos cerca de sete mil quilómetros de estradas que temos, cerca de 70 por cento estão em total degradação, sem que tenha havido um esforço sério de manutenção e modernização durante os últimos anos”, acrescentou o Presidente.

Para o Chefe de Estado, é também preciso “aprofundar a paz, a cultura democrática e o Estado de direito”, mas a paz “anda em paralelo com a criação de emprego e a redução da pobreza”.
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