Jornal Digital-14/03/2010
Díli - O Primeiro Ministro timorense, Xanana Gusmão, e o seu Ministro dos Negócios Estrangeiros Zacarias da Costa, aliados no Governo e no Parlamento Timorense, estarão a viver um dos momentos mais difíceis da sua convivência política.
Ágio Pereira, Porta Voz do Governo Timorense, veio a público em defesa em Xanana, atribuindo a responsabilidade do episódio à atitude de Zacarias da Costa, acusando-o de ter colocado o seu lugar à disposição via SMS. O MNE nega e afirma que a publicitação do caso é objecto de «manipulações» de colegas do Governo, a coberto de protagonismo político.
Na base do desentendimento estará a desautorização do MNE por parte de Xanana, que levou mesmo a que Zacarias da Costa ameaçasse abandonar o Governo e abrir a porta a nova crise política.
Durante a última semana, realizaram-se em Díli duas conferências internacionais de importância para o futuro do país: a conferência de Doadores Internacionais, e a conferência do G7, que contempla os chamados Estados Frágeis onde Timor se integra. Em Conselho de Ministros, Xanana Gusmão propôs ao Conselho de Ministros para que os Embaixadores de Timor-Leste no estrangeiro participassem nos quatro dias de conferências internacionais que decorreriam em Díli Apesar da aprovação da proposta na reunião, Zacarias da Costa mostrou-se contra e não autorizou a deslocação dos diplomatas.
Nos dias que antecederam as conferências, Xanana Gusmão emitiu um despacho para o Secretário Geral dos Negócios Estrangeiros, dando ordens para o envio de uma carta de autorização de entrada dos Embaixadores em Timor-Leste. Os diplomatas acabaram mesmo por participar nos eventos internacionais.
Em conferência de imprensa realizada ontem, Ágio Pereira, Secretário de Estado do Conselho de Ministros e Porta Voz do Governo Timorense, veio a público defender Xanana Gusmão e responsabilizar Zacarias da Costa pelo actual clima político em Timor. Segundo Ágio, foi no seguimento do despacho de autorização do Primeiro Ministro que Zacarias da Costa, a 27 de Março, enviou um sms a uma das assessoras de Xanana, dando-lhe conta que se sentia desautorizado na sua posição de MNE e que iria apresentar a sua resignação ao cargo.
Apesar de oficialmente não haver conhecimento de qualquer encontro entre o Primeiro-Ministro e o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Xanana afirma não haver uma recusa da sua parte em receber Zacarias da Costa, o qual continua a exercer as suas funções de forma normal. Segundo o MNE, «existem políticos em Timor que estão a manipular o caso em benefício pessoal».
O silêncio sobre este caso marcou toda a semana política. Nem Ramos Horta, nem Xanana Gusmão, nem os principais líderes políticos quiseram alimentar a polémica durante uma semana de forte projecção internacional. Só Ágio Pereira quebrou o silêncio para criticar a actuação de Zacarias da Costa.
O Primeiro Ministro remete a conclusão do caso para a reunião do Conselho de Ministros que irá acontecer amanhã, 14 de Abril. Espera-se que então, Xanana Gusmão e Zacarias da Costa resolvam as suas diferenças frente a frente e sem influências de terceiros.
Entre os analistas internacionais em Dili, o actual episódio tem vindo a causar estranheza, face ao relacionamento cúmplice existente entre o Primeiro Ministro e o Ministro dos Negócios Estrangeiros. Zacarias da Costa, um dos políticos timorenses da Nova Geração, é líder do PSD, um dos cinco partidos que fazem parte da Aliança de Maioria Parlamentar, a coligação que actualmente governa Timor-Leste. Zacarias substituiu no cargo o histórico Mário Carrascalão, conseguindo congregar em torno do seu projecto político o apoio maioritário das principais estruturas do partido.
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Ágio Pereira, Porta Voz do Governo Timorense, veio a público em defesa em Xanana, atribuindo a responsabilidade do episódio à atitude de Zacarias da Costa, acusando-o de ter colocado o seu lugar à disposição via SMS. O MNE nega e afirma que a publicitação do caso é objecto de «manipulações» de colegas do Governo, a coberto de protagonismo político.
Na base do desentendimento estará a desautorização do MNE por parte de Xanana, que levou mesmo a que Zacarias da Costa ameaçasse abandonar o Governo e abrir a porta a nova crise política.
Durante a última semana, realizaram-se em Díli duas conferências internacionais de importância para o futuro do país: a conferência de Doadores Internacionais, e a conferência do G7, que contempla os chamados Estados Frágeis onde Timor se integra. Em Conselho de Ministros, Xanana Gusmão propôs ao Conselho de Ministros para que os Embaixadores de Timor-Leste no estrangeiro participassem nos quatro dias de conferências internacionais que decorreriam em Díli Apesar da aprovação da proposta na reunião, Zacarias da Costa mostrou-se contra e não autorizou a deslocação dos diplomatas.
Nos dias que antecederam as conferências, Xanana Gusmão emitiu um despacho para o Secretário Geral dos Negócios Estrangeiros, dando ordens para o envio de uma carta de autorização de entrada dos Embaixadores em Timor-Leste. Os diplomatas acabaram mesmo por participar nos eventos internacionais.
Em conferência de imprensa realizada ontem, Ágio Pereira, Secretário de Estado do Conselho de Ministros e Porta Voz do Governo Timorense, veio a público defender Xanana Gusmão e responsabilizar Zacarias da Costa pelo actual clima político em Timor. Segundo Ágio, foi no seguimento do despacho de autorização do Primeiro Ministro que Zacarias da Costa, a 27 de Março, enviou um sms a uma das assessoras de Xanana, dando-lhe conta que se sentia desautorizado na sua posição de MNE e que iria apresentar a sua resignação ao cargo.
Apesar de oficialmente não haver conhecimento de qualquer encontro entre o Primeiro-Ministro e o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Xanana afirma não haver uma recusa da sua parte em receber Zacarias da Costa, o qual continua a exercer as suas funções de forma normal. Segundo o MNE, «existem políticos em Timor que estão a manipular o caso em benefício pessoal».
O silêncio sobre este caso marcou toda a semana política. Nem Ramos Horta, nem Xanana Gusmão, nem os principais líderes políticos quiseram alimentar a polémica durante uma semana de forte projecção internacional. Só Ágio Pereira quebrou o silêncio para criticar a actuação de Zacarias da Costa.
O Primeiro Ministro remete a conclusão do caso para a reunião do Conselho de Ministros que irá acontecer amanhã, 14 de Abril. Espera-se que então, Xanana Gusmão e Zacarias da Costa resolvam as suas diferenças frente a frente e sem influências de terceiros.
Entre os analistas internacionais em Dili, o actual episódio tem vindo a causar estranheza, face ao relacionamento cúmplice existente entre o Primeiro Ministro e o Ministro dos Negócios Estrangeiros. Zacarias da Costa, um dos políticos timorenses da Nova Geração, é líder do PSD, um dos cinco partidos que fazem parte da Aliança de Maioria Parlamentar, a coligação que actualmente governa Timor-Leste. Zacarias substituiu no cargo o histórico Mário Carrascalão, conseguindo congregar em torno do seu projecto político o apoio maioritário das principais estruturas do partido.
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