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JORNAL DIGITAL-2010-04-16
Díli - Depois de Zacarias da Costa, Ministro dos Negócios Estrangeiros, e Xanana Gusmão, Primeiro Ministro, terem, oficialmente, enterrado o «machado de guerra», o caso da ameaça de resignação do MNE está a provocar sequelas no interior do PSD.
Depois de Zacarias da Costa, também líder do partido, ter acusado Agio Pereira, Porta voz do Governo, de manipulação pública, novos dados apontam para a participação de Emília Pires (na foto), Ministra das Finanças e membro do PSD, como uma das instigadoras.
Na base de todo o caso está a convocatória feita aos embaixadores de Timor-Leste no exterior para participação em Dili nas conferências de Doadores Internacionais e do G7, na última semana. Zacarias da Costa opôs-se a esta chamada, mas Xanana Gusmão emitiu um despacho autorizando a entrada dos diplomatas, que acabaram por participar nos eventos internacionais.
Sentindo-se desautorizado, Zacarias da Costa ameaçou demitir-se do cargo, situação que foi explorada publicamente por Agio Pereira, apontado há muito como tendo ambições de ocupar o lugar de Ministro dos Negócios Estrangeiros Timorense.
Ainda que na reunião de Conselho de Ministros do passado dia 14 de Abril, Xanana e Zacarias tenham chegado a um entendimento para ultrapassar a quase crise governamental, paira no ar o envolvimento de membros do PSD nesta querela instigada por ambições pessoais.
De forma pouco habitual, a organização do conjunto das conferências internacionais, em Díli, foi entregue ao Ministério das Finanças e não, como seria de esperar à partida, ao MNE, que tem nas suas competências a projecção internacional de Timor-Leste.
Emília Pires terá sido a autora da ideia de convocação dos Embaixadores de Timor-Leste no exterior e a principal responsável pela desautorização da decisão do MNE traduzida posteriormente no despacho de Xanana Gusmão.
Apesar de reconhecida internacionalmente, Emília Pires é uma figura controversa em Timor-Leste. Cuidadosa com a sua imagem e auto-confiante, cultiva uma forte ligação pessoal a Xanana Gusmão, tendo integrado o Gabinete de Xanana Gusmão no pós-referendo de Independência.
No entanto, esta postura causa também incómodo junto das principais figuras timorenses, designadamente pelo seu cariz excessivamente “australiano”. Neta de portugueses, Emília Pires é fluente na língua de Camões, no entanto, desde que assumiu o cargo de Ministra das Finanças, em 2007, por diversas ocasiões se recusou a utilizar o português em comunicações no país.
Em 2009, já enquanto Ministra das Finanças, foram veiculadas, nos media timorenses, várias acusações de corrupção envolvendo membros do Governo Timorense. Nas Finanças, estavam então em causa os salários (considerados “escandalosos” pela generalidade dos media locais) dos seus cerca de 60 assessores internacionais, maioritariamente australianos.
O nome de Emília surgiu novamente quando uma timorense, alegadamente sem as qualificações académicas adequadas, estava a desempenhar funções de assessoria no seu ministério, recebendo um vencimento equivalente ao de um funcionário internacional.
Esta predilecção anglo-saxónica foi visível, ainda em 2009, quando as autoridades timorenses discutiam a necessidade de «timorização» da administração pública em Timor-Leste, Emília Pires nomeou um cidadão australiano para Director interino dos Impostos.
Já em 2010, a Ministra das Finanças foi acusada publicamente de ser responsável pelo desaparecimento de três milhões de dólares do Pacote Referendo (fundo para a construção de infra-estruturas em território timorense). Emília quebrou o silêncio apenas para afirmar que se tratava de um caso em que as responsabilidades eram exclusivas do Ministério das Infra-estruturas. Mas em Dili, a dúvida permanece.
(c) PNN Portuguese News Network
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JORNAL DIGITAL-2010-04-16
Díli - Depois de Zacarias da Costa, Ministro dos Negócios Estrangeiros, e Xanana Gusmão, Primeiro Ministro, terem, oficialmente, enterrado o «machado de guerra», o caso da ameaça de resignação do MNE está a provocar sequelas no interior do PSD.
Depois de Zacarias da Costa, também líder do partido, ter acusado Agio Pereira, Porta voz do Governo, de manipulação pública, novos dados apontam para a participação de Emília Pires (na foto), Ministra das Finanças e membro do PSD, como uma das instigadoras.
Na base de todo o caso está a convocatória feita aos embaixadores de Timor-Leste no exterior para participação em Dili nas conferências de Doadores Internacionais e do G7, na última semana. Zacarias da Costa opôs-se a esta chamada, mas Xanana Gusmão emitiu um despacho autorizando a entrada dos diplomatas, que acabaram por participar nos eventos internacionais.
Sentindo-se desautorizado, Zacarias da Costa ameaçou demitir-se do cargo, situação que foi explorada publicamente por Agio Pereira, apontado há muito como tendo ambições de ocupar o lugar de Ministro dos Negócios Estrangeiros Timorense.
Ainda que na reunião de Conselho de Ministros do passado dia 14 de Abril, Xanana e Zacarias tenham chegado a um entendimento para ultrapassar a quase crise governamental, paira no ar o envolvimento de membros do PSD nesta querela instigada por ambições pessoais.
De forma pouco habitual, a organização do conjunto das conferências internacionais, em Díli, foi entregue ao Ministério das Finanças e não, como seria de esperar à partida, ao MNE, que tem nas suas competências a projecção internacional de Timor-Leste.
Emília Pires terá sido a autora da ideia de convocação dos Embaixadores de Timor-Leste no exterior e a principal responsável pela desautorização da decisão do MNE traduzida posteriormente no despacho de Xanana Gusmão.
Apesar de reconhecida internacionalmente, Emília Pires é uma figura controversa em Timor-Leste. Cuidadosa com a sua imagem e auto-confiante, cultiva uma forte ligação pessoal a Xanana Gusmão, tendo integrado o Gabinete de Xanana Gusmão no pós-referendo de Independência.
No entanto, esta postura causa também incómodo junto das principais figuras timorenses, designadamente pelo seu cariz excessivamente “australiano”. Neta de portugueses, Emília Pires é fluente na língua de Camões, no entanto, desde que assumiu o cargo de Ministra das Finanças, em 2007, por diversas ocasiões se recusou a utilizar o português em comunicações no país.
Em 2009, já enquanto Ministra das Finanças, foram veiculadas, nos media timorenses, várias acusações de corrupção envolvendo membros do Governo Timorense. Nas Finanças, estavam então em causa os salários (considerados “escandalosos” pela generalidade dos media locais) dos seus cerca de 60 assessores internacionais, maioritariamente australianos.
O nome de Emília surgiu novamente quando uma timorense, alegadamente sem as qualificações académicas adequadas, estava a desempenhar funções de assessoria no seu ministério, recebendo um vencimento equivalente ao de um funcionário internacional.
Esta predilecção anglo-saxónica foi visível, ainda em 2009, quando as autoridades timorenses discutiam a necessidade de «timorização» da administração pública em Timor-Leste, Emília Pires nomeou um cidadão australiano para Director interino dos Impostos.
Já em 2010, a Ministra das Finanças foi acusada publicamente de ser responsável pelo desaparecimento de três milhões de dólares do Pacote Referendo (fundo para a construção de infra-estruturas em território timorense). Emília quebrou o silêncio apenas para afirmar que se tratava de um caso em que as responsabilidades eram exclusivas do Ministério das Infra-estruturas. Mas em Dili, a dúvida permanece.
(c) PNN Portuguese News Network
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