Quarta-feira, 21 de Abril de 2010

MENTES PARALELAS

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Por ANTÓNIO VERÍSSIMO, em http://timorlorosaenacao.blogspot.com/

Pululu, um blogue nosso associado, faz menção a que perfazem hoje 30 anos da independência do Zimbabué salientando a luta patriótica liderada por Robert Mugabe...

Diz Eugénio da Costa Almeida no Pululu: “Faz hoje 30 anos que os zimbabueanos se tornaram no Zimbabwe sob a égide de um revolucionário e de um patriota.” Para logo em seguida afirmar: “30 anos depois constatam que o “velho” patriota revolucionário se tornou num déspota que não deseja largar o poder e colocou o País num caos profundo que nem os amigos já sabem como ajudar.” E perguntar: “Até quando o País vai ter de suportar Robert Mugabe?” Questionando com brevidade e importância: “Até quando os amigos vão continuar a apoiar e a esperar que ele saia por si, como recorda hoje, e bem, Mário Pinto de Andrade, analista internacional e reitor da Univ. Lusíada de Angola, numa entrevista ao DN, sobre a situação no Zimbabwe: “A solução passa, numa primeira fase, por este Governo de transição e, depois, por uma nova Constituição e por um acordo nas elites da ZANU-PF para a substituição de Robert Mugabe por nova liderança que possa trazer estabilidade ao país. Este teve papel importante na luta de libertação e é o pai da independência do Zimbabwe, mas, quando o líder no poder já não gere consensos, é melhor sair com dignidade do que originar uma guerra civil, factor de instabilidade no país e na região." Mas será que realmente haja quem esteja preparado para lho dizer cara a cara?” Compilámos este texto do Pululu para o Página Um e agora parcialmente para aqui.

A história tem vindo a provar que em inúmeros exemplos e circunstâncias, líderes independentistas e nacionalistas acabam por revelar-se torcionários terríveis dos seus povos e dos seus países. Autênticos assassinos a soldo das suas ganâncias e imoralidades.

Olhamos para Timor-Leste, para Alexandre Gusmão, e vimos uma emergente cópia de Mugabe e de outros déspotas conhecidos. Gusmão está a dar os passos que inúmeros ditadores, assassinos e opressores dos seus povos, têm dado ao longo da história. Não é de agora que vem dando esses passos, nem é de agora que optou por esse percurso. Na opinião de uma vasta maioria, há algum tempo que lhe caiu a máscara de democrata. Agora só falta cair a máscara à democracia aparente, mas tão reduzida, em Timor-Leste. Por enquanto ainda podemos dizer que hoje sobram umas réstias da liberdade e democracia aspirada pelos timorenses. Até quando?

Democracia, significado de palavra e vivência desconhecido para a maioria dos timorenses, por nem sequer imaginarem o que é “essa coisa de democracia”. Nunca a viveram, apesar de há imensos anos lutarem por ela.

A presente situação em Timor-Leste exige que não esqueçamos indícios bastante relevantes de que Gusmão pode ter optado pela eliminação física de um opositor político, como dizem - o major Alfredo Reinado. Assim decidiu? Tê-lo-á decidido solitariamente ou em conluio com outros pares? O que transparece de todo o processo vem provar que existem cumplicidades e que a “história” está muito mal contada. Isso mesmo ficou demonstrado no Tribunal Distrital de Díli, apesar de os juízes, como no Zimbabué, se submeterem ao poder político e condenarem inocentes se necessário, em obediência ao ditador já declarado por alguns ou estrategicamente encapotado segundo a opinião de outros.

Não é segredo que o chamado “caso 11 de Fevereiro” ainda vai fazer correr muita tinta e propagação de palavras no éter, em noticiários. A comunicação social politicamente correta, que tem contribuído para algum silenciamento do “caso”, procurando desvalorizá-lo, serão os que, provavelmente, vão querer surgir como paladinos das liberdades e justiça em momento futuro, tal qual como se comportaram com o ditador Mugabe. Antes deixaram-se “abafar” e manipular, a troco não se sabe de quê (mas imagina-se), actualmente atiram-se a Mugabe como gato a bofe, esquecendo quanto no passado silenciaram certos crimes daquele ditador. Considerando as proporções, se nada for corrigido, tudo indica que vai acontecer algo parecido em Timor-Leste. Quantas dezenas de anos terão os timorenses de sofrer para que Gusmão seja incluído no catálogo dos adversários da democracia?

Em Timor-Leste, o 11 de Fevereiro de 2008, em vez de ter sido o ponto final de toda a trama de 2006, como pretendiam os envolvidos nessa acção, transformou-se num importante apêndice explosivo da mesma, numa espoleta que tarde ou cedo cairá e fará detonar realidades latentes. Por enquanto só sussurradas, porque o medo já existe e sabe-se que “os carrascos” estão atentos. Como no Zimbabué aconteceu. Agora, o medo do déspota Mugabe já é declarado e passou fronteiras. A sua queda é uma questão de tempo. Sabemos. E em Timor?

ZACARIAS DA COSTA

A autocracia do regime de Gusmão foi mais uma vez demonstrada e documentada no “caso” Zacarias da Costa, no enxovalho público de que foi vítima e em que Gusmão fez questão de primar. Ao levar a Conselho de Ministros os agentes da média e humilhar o ministro dos Negócios Estrangeiros o primeiro-ministro não o fez para ser justo e recto mas sim para ser temido até pelos seus pares. Tal e qual Robert Mugabe e outros déspotas que a história, o presente e o futuro nos vão trazendo ao conhecimento.

Pouco importa se existem imagens no You Tube do enxovalho a que há dias o ministro Zacarias da Costa foi submetido, mais importante é o que tem vindo a ser perceptível e digno de repúdio sobre o mau carácter de Alexandre Gusmão. Evidentemente que ele só fez aquele nojento espectáculo para fazer-se temer e desse modo conter os opositores que se sentam a seu lado no governo. Uma pequena amostra do que fará se não “se portarem bem”. Não é por acaso que está a apoderar-se de um exército de repressão, a PNTL. Que tem vindo a dar mostras disso mesmo com as suas actuais práticas. Tudo com a cumplicidade da ONU e da igreja timorense. Esta última vai-se apossando das almas, e dos média timorenses para a retenção do intelecto e do seu alimento - o esclarecimento, a informação.

A liberdade de expressão existente em Timor-Leste é controlada pelo poder político mas também pelo poder eclesiástico. Em relação a estes últimos, um exemplo: a comunicação social timorense não faz uma única referência aos escândalos sobre pedofilia que assolam o Vaticano. Pudera, seria esclarecedor e talvez se tornasse em Espada de Democles para o clero timorense e para a própria Procuradoria Geral da República, que, como os bispos, também está claramente a encobrir pedófilos do clero. Facto sempre referido no TLN, por ser verdade.

UM REFÉM CHAMADO PSD

O Partido Social Democrata, partido fundado por Mário Carrascalão, vice-ministro, terceira força politica mais votada nas últimas eleições e componente importante da AMP, aliança pós eleitoral de partidos, que sustem Gusmão no poder, aceitou e assistiu cúmplice e impávido à inadmissível humilhação do seu presidente, Zacarias da Costa, ministro dos Negócios Estrangeiros.

Mário Carrascalão, ex-presidente do PSD, que há cerca de um ano apoiou Zacarias da Costa para ocupar o seu lugar na presidência do partido, também se aliou a Gusmão na acção do déspota. Assim se deve interpretar pelo simples facto de não se ter oposto a toda aquela encenação do aviltante conselho de ministros em que o “actor” Gusmão, com o seu capataz Ágio Pereira, convocou a comunicação social para os servir.

Refira-se o facto de, dias antes do “espectáculo” no conselho de ministros, Gusmão se ter referido com desaprovação a Mário Carrascalão, vice primeiro-ministro, por aquele recentemente se ter pronunciado para os media sobre a corrupção entre elementos do governo. Dizendo então que se não fossem tomadas medidas se demitiria.

Nem se demitiu, nem se opôs, como devia, ao despotismo de Gusmão no exercício que lhe é querido - de se enaltecer e petrificar no poder, espezinhando (e o que mais convier) os que lhe façam sombra.

As figuras políticas do PSD que se vergam ante as atitudes antidemocráticas e de enxovalho, praticadas por Gusmão, mostram-nos que o déspota está a atingir os seus objectivos: fazer do PSD refém através do medo, da cumplicidade, do conluio, da cobardia de não se manifestarem dissonantes para não perderem os cargos que exercem, as influências e respectivas mordomias de que beneficiam. Assim, por valores tornados indignos, permitem que o partido, o PSD, fique refém do déspota.

Não se julgue que é aqui defendido que se o primeiro-ministro estava melindrado e discordante com a atitude do MNE, Zacarias da Costa, não se devia manifestar e admoestar o ministro. Podia e devia fazê-lo. Sem dramatizações, sem a intromissão de um secretário de estado, Ágio Pereira, e, fazê-lo em circulo fechado. Nunca nas circunstâncias indignas em que o fez, com a cobertura televisiva que expressamente convocou para trucidar um ministro discordante que teve a honestidade de agir contra sua vontade. Os timorenses viram e ficaram a saber mais uma vez aquilo de que Gusmão é capaz de fazer caso se lhe oponham. Como se eles não soubessem. Como se o mundo não soubesse.

NINHO VIPERINO

Em abono da verdade, a RTTL, ao proporcionar que no exterior do país vejamos via internet o déspota em acção, acabou por prestar um mau serviço ao seu “dono” e um excelente serviço à confirmação da portabilidade de mau carácter do por enquanto primeiro-ministro timorense Alexandre Gusmão. Até quando?

Ainda bem que o fizeram. Devemos ficar agradecidos a todos que colaboraram na divulgação das capacidades perniciosas daquela mente, se bem que os seus propósitos sejam outros, menos dignos e que por isso tiveram por prémio resultado contrário. Pode acontecer que assim mais rapidamente seja criada uma via que impossibilite Gusmão de exacerbar o seu despotismo por tantas décadas quanto Robert Mugabe no Zimbabué. Um e outro poderão ter mentalidades paralelas e atitudes semelhantes mas os tempos são outros e as circunstâncias têm de ser diferentes e apelativas do combate democrático por um estado de direito e não um ninho viperino em que uns quantos usufruem criminosamente do que pertence a todos os timorenses.

Entretanto, o presidente da República, Ramos Horta, assiste a tudo impávido e sereno. Também refém?

Relacionado:http://timorlorosaenacao.blogspot.com/2010/04/humilhacao-de-zacarias-da-costa-rttl-de.html
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