Domingo, 21 de Março de 2010

SEM JUSTIÇA, AOS TIMORENSES SOBRA MISÉRIA

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Por ANA LORO METAN http://timorlorosaenacao.blogspot.com/

O “Caso 11 de Fevereiro” parece que já lá vai. Parece. Somente dá essa aparência. Na verdade vai ficar latente e de quando em vez despoletará. Assim irá acontecer até que seja feita justiça.

Não me canso de dizer que esta espécie de sondagens que fazemos no TLN e que podem encontrar na barra lateral são o que são e valem o que valem, não passam de uma singela auscultação de opinião aos que nelas querem participar.

Desta vez foi perguntado se “CONCORDA COM O VEREDICTO DO CASO 11 DE FEVEREIRO?”. Como sempre alguns dos que aqui nos visitam dão-se ao trabalho de participar. Temos assim que 8% concordou MUITO, 25% POUCO, 60% NADA. Continuo a afirmar que estes resultados representam o que ali ficou expresso mas não a população timorense. É apenas uma curiosidade. Será?

Pelo facto de ser uma curiosidade não deixa de ser interessante que a maioria absoluta demonstrasse a sua postura de descrédito relativamente ao veredicto, que condenou inocentes dos crimes de que foram acusados. E isso não é uma mera curiosidade mas sim uma constatação.

Foi aqui dito e redito sobre a farsa daquele julgamento. Ficou demonstrado pelas defesas e por documentação que o atentado de Balibar não foi mais que uma encenação e que de facto o major Reinado e o soldado Exposto foram executados sem que o Ministério Público e o Tribunal Distrital de Díli se mostrassem interessados em apurar quem executou os dois militares, tendo dado por provado mentiras que o magistrado Felismino Cardoso defendeu, acedendo aos seus requerimentos e ignorando e dificultando as Defesas dos acusados, negando-lhes direitos constitucionais - sem sombra de dúvidas.

Como se não bastasse toda a vergonhosa farsa protagonizada pelo Ministério Público e aceite pelo colectivo de juízes do TDD, parece que agora descobriram que afinal nos tribunais deve-se tratar tudo em tétum e não na outra língua oficial, o português. Isso seria o desejável, na realidade, mas… Mas se acaso o tétum tivesse sido objecto de mais e melhor desenvolvimento estrutural, o que não aconteceu apesar de terem passado mais alguns anos desde que o estudam e nele trabalham (ou fazem que trabalham). Também importa que todos no país falemos tétum e que não existam bolsas significativas de comunidades que não o aplicam, não o falam e nem o entendem convenientemente, muito menos escrevem ou lêem-no.

Por assim acontecer perguntei-me e pergunto agora aqui: Mas qual é a razão de tanta pressa? Porque só agora se lembraram disso? E porque razão foi o brigadeiro-general Taur Matan Ruak que atirou para debate o tema? Foi por ver imensos militares (ou ex-militares) serem condenados injustamente? Matan Ruak sabe que sim, que foram, sabe a verdade, mas o que não explicou foi o que teria contribuído o tétum para que a sentença fosse justa? Ademais, o julgamento foi falado 80 por cento em tétum, como já foi afirmado. Seria óptimo que o brigadeiro-general explicasse tudo muito bem e melhor. Faça-nos esse grande favor.

O interesse de que se avance já para o tétum em tribunal e em tudo que se refere a processos judiciais é prematuro. Deverá “crescer” e então sim, justifica-se plenamente que passe a vigorar a lingua-pátria que escolhemos para comunicarmos. É evidente que logo uns quantos nacionalistas bacocos e comprovadamente pró-anglófonos ou pró-bahasas, ou anti-português, se puseram em bicos dos pés a apoiarem as palavras de Taur Matan Ruak. Até porque lhes convém que no exterior se desconheçam as ilegalidades que são cometidas ao longo dos processos judiciais. Espantosamente, a associação de advogados timorenses veio agora também apoiar a sugestão precoce. Sobre as irregularidades e ilegalidades que são cometidas não escutamos nem lemos uma única palavra de reprovação daquela associação, mas agora também se veio pôr em bicos dos pés concordando com mais possibilidades de práticas inadmissíveis e impróprias da justiça de um Estado de Direito. São opiniões e factos que nos deixam a meditar.

Meditemos então, sobre os jogos de interesses que estão em causa nas elites recém-formadas neste país destruído por muitos que agora fazem parte dessas mesmas elites. O prejuízo é da democracia, da justiça, do povo que continua depauperado em tudo menos em ver passar por eles os novos-ricos que de um dia para o outro se rechearam de bens inimagináveis sem que encontremos uma explicação plausível. A não ser roubo, abuso de confiança, corrupção, conluio, negociatas… O catálogo é imenso. Para os timorenses sobra a miséria. Em país sem justiça é assim que acontece. Prevalece a impunidade de uma elite que só nos envergonha.
Todos entendem isso. A população também. Até parece que a “sondagem” é demonstrativa da percepção e opinião nacional. Parece… Ou é? Está claro que é.
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